A plataforma Origem Controlada Café ultrapassou a marca de 1 milhão de pacotes de café torrado rastreados desde seu lançamento. Em operação desde o fim de 2024, a ferramenta reúne e monitora informações de 16 Indicações Geográficas (IGs) brasileiras de café, abrangendo 380 municípios.
Desenvolvido pelo Sebrae, em parceria com o Mdic, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto CNA, o sistema permite identificar quem produziu o café, onde ele foi cultivado, sua pontuação, características sensoriais e outros dados técnicos. Todas essas informações podem ser consultadas por meio de um QR Code.
Somente na última semana de junho, mais de 12 toneladas de café torrado foram rastreadas, o equivalente a mais de 34 mil novos pacotes. No mesmo período, foram emitidos selos para mais de 126 toneladas de café verde, permitindo acompanhar toda a trajetória do grão, da lavoura à xícara do consumidor. Além de indicar a região de origem, o selo garante a autenticidade do produto.
A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, destaca que a plataforma está em constante evolução. Somente neste ano, entre dez e quinze novas funcionalidades foram incorporadas ao sistema.
Novos módulos e integrações estão sempre previstos e são definidos conforme a demanda dos comitês gestores das Indicações Geográficas, garantindo que cada evolução responda a uma necessidade real da cadeia produtiva.
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional
De acordo com relatório emitido em 2 de julho, a pontuação média dos cafés avaliados foi de 83,82 pontos, índice que comprova a qualidade sensorial das amostras analisadas.
Reconhecimento e valorização
Thiago Douro representa a quinta geração de produtores da Douro Cafés Especiais, em Marechal Floriano (ES), município abrangido pela Indicação Geográfica Montanhas do Espírito Santo, na modalidade Denominação de Origem (DO), reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Segundo ele, a propriedade tem 10 hectares, é conduzida em sistema de agricultura familiar e está localizada em uma área preservada de Mata Atlântica, próxima ao litoral. “Estamos muito focados na qualidade do nosso café e os produtores são muito cuidadosos. Com apoio do Sebrae, estamos desenvolvendo nossa marca para criar uma identidade dentro do mercado”, afirma Thiago, que também preside a Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (ACEMES), responsável pela gestão da IG.
Cada região produtora cadastrada na plataforma reúne características próprias que influenciam diretamente o perfil sensorial dos cafés. Na última semana de junho , mais de 174 novas amostras foram avaliadas e outros cinco produtores passaram a integrar o acervo da plataforma.
A região do Caparaó, localizada na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, também está entre as Indicações Geográficas que aderiram à plataforma. Integrante da Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (APEC), Gustavo Villas Boas, do Sítio Menina, utiliza o sistema desde o lançamento. Em sua propriedade, localizada no distrito de Pedra Menina, em Dores do Rio Preto (ES), é produzido o Café Menina.
Na avaliação do produtor, o consumidor brasileiro ainda está conhecendo o significado de um produto com origem controlada, Indicação Geográfica e Denominação de Origem. “O consumidor ainda está bem cru nesses termos. Fazemos um trabalho bem educacional. O selo é um parceiro do produtor e uma proteção para o consumidor, pois garante que ele está comprando um produto genuíno e de qualidade do Caparaó”, enfatiza.





