Um único data center de 100 Megawatt (MW) é suficiente para acrescentar ao PIB brasileiro um total de R$ 1,5 bilhão, além de R$ 590 milhões em renda do trabalho distribuídos por diversos setores da economia, direta e indiretamente, passando pela construção civil, comércio e serviços de engenharia, por exemplo.
Os números estão no estudo “Potenciais Impactos Socioeconômicos da Consolidação do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da Inteligência Artificial”, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgados nesta terça-feira, 07 de julho.
Também foi apresentado que, para implementação de um data center, é necessário um investimento total de R$ 25 bilhões, sendo R$ 5 bilhões do operador em infraestrutura e R$ 20 bilhões em computação (servidores, GPUs, storage). Com isso, são estimados cerca de 12.560 empregos diretos e indiretos ao longo de toda a cadeia produtiva, entre 18 a 36 meses de implantação.
Após a entrada em operação, ainda de acordo com a análise, o empreendimento sustenta de forma permanente cerca de 15% desses empregos. O detalhamento do estudo foi feito em Brasília (DF) pelo Instituto Livre Mercado (ILM), a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), a Brasscom, a Dig.IA e o Movimento Brasil Competitivo (MBC).
Para cada R$ 1 milhão investido no setor de data centers, são gerados aproximadamente R$ 350 mil em renda do trabalho. Desse total, R$ 259 mil seriam em salários diretos no setor e R$ 91 mil em remunerações nos setores fornecedores. Além disso, é reforçado que o ganho salarial não se restringe aos profissionais de TI, mas se espalha por trabalhadores de construção, transporte, comércio, alimentação e outros serviços.
O estudo apontou também que a consolidação do Brasil como hub digital ainda depende da integração entre hardware, software, conectividade e energia como base da infraestrutura digital. Falta ainda o aumento da demanda por capacidade computacional impulsionada pela inteligência artificial. Outra necessidade é o fortalecimento da cadeia produtiva e do ecossistema tecnológico, incluindo fornecedores, inovação e qualificação de mão de obra.
Hub de data centers
Elaborado a pedido da Scala Data Centers e da Norgás, o levantamento aponta que a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de áreas, o tamanho do mercado interno e a posição geográfica colocam o Brasil em posição favorável para disputar projetos de data centers e infraestrutura voltada à inteligência artificial.
O potencial é dimensionado em um dos cenários projetados pela FGV, no qual a capacidade instalada de infraestrutura digital no país passaria de cerca de 1 GW para 13,7 GW até 2035. Nesse caso, a expansão poderia sustentar mais de 230 mil empregos permanentes.
Para acrescentar os 12,7 GW de capacidade previstos nesse cenário, seriam necessários investimentos entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões. Os valores incluem tanto a infraestrutura física dos empreendimentos quanto os equipamentos computacionais usados no processamento de dados e em aplicações de inteligência artificial.
Mas há desafios no setor elétrico. Embora a matriz renovável seja tratada como uma vantagem competitiva, a FGV avalia que o país precisa coordenar melhor a expansão da rede com o crescimento da demanda dos data centers e tornar o acesso ao sistema mais previsível para projetos de grande porte. A fragmentação regulatória e a instabilidade dos incentivos fiscais também são apontadas como fontes de incerteza para os investidores.
Para enfrentar esses entraves, o estudo propõe políticas de estímulo à produção nacional de equipamentos, um regime jurídico estável para incentivos fiscais e o reconhecimento dos data centers como infraestrutura estratégica no setor elétrico. A FGV também recomenda a criação de uma instância nacional de coordenação entre governos, órgãos reguladores e setor privado para reduzir sobreposições de competências e aumentar a previsibilidade dos projetos.





