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Argentina busca se livrar da “Messidependência” contra o Egito de Salah

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A Argentina sobreviveu à emboscada armada por Cabo Verde, mas saiu da partida com uma constatação preocupante: a equipe continua excessivamente dependente da genialidade de Lionel Messi. Nas oitavas de final, ao enfrentar o Egito de Mohamed Salah, o time terá uma última oportunidade de ajustar a engrenagem antes que a Copa do Mundo entre em sua fase mais traiçoeira.

Os atuais campeões mundiais vêm fazendo uma reflexão profunda desde sexta-feira. As emoções iniciais após a vitória por 3 a 2 sobre Cabo Verde, garantida por um gol salvador momentos antes de uma disputa de pênaltis, foram de um imenso alívio por terem escapado, por pouco, de uma humilhação colossal.

A ‘Albiceleste’ ficou abalada ao perceber quão perto esteve do abismo, embora as causas vinham sendo sentidas desde o início do torneio.

Disputando a sexta Copa do Mundo de sua carreira, Messi marcou sete dos 11 gols da Argentina nas vitórias sobre Argélia (3 a 0), Áustria (2 a 0) e Jordânia (3 a 1) na fase de grupos, assim como no jogo da fase de 16-avos contra Cabo Verde.

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Quando a bola não passa pelos pés de seu capitão, a tricampeã mundial (1978, 1982 e 2022) pratica um futebol excessivamente estático e previsível, sem dar intenção e nem sentido à posse de bola.

A equipe que conquistou o título mundial no Catar em 2022 com seu frescor e dinamismo tático agora se estabiliza, aguardando a aparição inevitável de Messi, que tem correspondido na hora certa, marcando um gol em cada uma de suas últimas oito partidas de Copa do Mundo.

Além do craque do Inter Miami, artilheiro do torneio ao lado de Kylian Mbappé e Erling Haaland, o único outro atacante argentino a marcar foi Lautaro Martínez, que converteu um pênalti contra a Jordânia.

‘El Toro’, que marcou apenas esse gol em 10 partidas de Copa do Mundo, foi titular nos quatro jogos deste torneio, à frente de Julián Álvarez.

À espera de Lautaro e Álvarez

Depois de formar dupla com Messi no Catar e marcar quatro gols, Julián Álvarez tem passado despercebido neste torneio, sem registrar gols ou assistências nos 200 minutos em que esteve em campo.

‘La Araña’ (‘A Aranha’), no entanto, deve começar a partida desta terça-feira com a missão de dar novo ânimo a um ataque pouco inspirado contra Cabo Verde.

Esse jogo dos 16-avos confirmou que falta à Argentina a capacidade de infiltração pelos pontas ou através de subidas dos laterais, uma deficiência que também impede a criação de espaços para que meio-campistas como Enzo Fernández e Rodrigo De Paul avancem em direção à área.

Para recuperar a fluidez de seu jogo, Scaloni confirmou que Leandro Paredes reassumirá o comando no meio-campo, provavelmente ocupando a vaga de Thiago Almada.

“É claro que podemos jogar melhor”, disse Scaloni, “mas o nível da Argentina é aceitável, vencemos todas as quatro partidas”. Ele fez questão de ressaltar a garra extra que diferencia sua equipe dos demais favoritos.

“Quando as coisas não saem como o esperado em uma partida ou o adversário exerce pressão, não existe apenas uma maneira de vencer”, observou. “É possível triunfar na base da batalha, com intensidade, coragem e com o espírito que está enraizado em todos nós”.

“Ambiciosos”

O confronto contra o Egito, outro adversário que parece mais fraco no papel, deve servir para restaurar a confiança na defesa do título antes de possíveis duelos contra Colômbia e Inglaterra, no caminho rumo à final de 19 de julho.

Os ‘Faraós’ são uma das duas únicas seleções africanas que permanecem no torneio, ao lado do Marrocos, tendo superado a Austrália nos pênaltis nos 16-avos, após um empate em 1 a 1.

Os pontos fortes do Egito residem na solidez defensiva e na competitividade, contando também com a genialidade de Salah e a velocidade de Omar Marmoush, atacante do Manchester City.

Atualmente sem clube após encerrar sua brilhante passagem pelo Liverpool, Salah não se deixa abalar ao saber que este pode ser seu último grande torneio e incentivou seus companheiros a jogarem sem medo, um apelo reforçado nesta segunda-feira pelo técnico Hossam Hassan.

“Certamente todos consideram a Argentina a favorita”, reconheceu o treinador. “Mas não somos azarões. Somos uma grande nação… Vamos tentar ser o mais ambiciosos possível”.

Por AFP





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