Chegou ao fim o sonho do hexa para o Brasil. Neste domingo, a Seleção decepcionou e perdeu para a Noruega por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), sendo eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo. O segundo gol de Haaland foi apenas a cena final de um roteiro que vinha sendo escrito há muito tempo.
Ancelotti tem culpa
Carlo Ancelotti chegou cercado de expectativa. Afinal, trata-se de um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol. Mas a Copa também mostrou que o italiano não está acima de críticas.
Desde a estreia, algumas decisões levantaram questionamentos. A aposta em Igor Thiago como referência ofensiva contra Marrocos, por exemplo, nunca pareceu se justificar dentro da competição. Ao longo do torneio, também chamou atenção a titularidade incontestável de Casemiro, mesmo quando o volante demonstrou sinais claros de queda física.
Contra a Noruega, o episódio mais debatido foi a escolha do cobrador do pênalti. Vinicius Júnior estava em campo, mas Bruno Guimarães foi o encarregado da cobrança. O meio-campista perdeu a oportunidade que poderia mudar completamente a história da partida.
(Foto por MAURO PIMENTEL / AFP)
É verdade que Ancelotti explicou a decisão com base em estatísticas, mas Copas do Mundo não são decididas apenas por planilhas. Em momentos decisivos, personalidade e protagonismo também precisam entrar em cena.
Passividade e ineficiência
Existe uma máxima antiga do futebol que continua atual: quem não faz, leva. E poucas vezes ela pareceu tão adequada quanto neste Brasil x Noruega.
A Seleção teve uma postura excessivamente passiva, mas produziu o suficiente para sair vencedora. Criou chances claras, chegou com perigo ao ataque e viu o goleiro Nyland se transformar em um dos protagonistas da partida. Mas eficiência não se mede por volume de ataques.
O pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães foi apenas o primeiro aviso. Depois veio a oportunidade inacreditável perdida por Endrick no segundo tempo, livre diante do goleiro. Houve ainda outras chegadas perigosas com Vinicius Júnior, Martinelli e Rayan que terminaram sem a bola na rede.
(Foto por ODD ANDERSEN / AFP)
Enquanto isso, a Noruega jogou como quem conhecia perfeitamente a sua estratégia. Esperou, resistiu e, quando teve a oportunidade, entregou a bola para quem resolve.
Haaland precisou de poucas participações para decidir o jogo. Um cabeceio certeiro. Uma finalização rasteira e fatal. Duas chances, dois gols. O centroavante fez aquilo que o Brasil não conseguiu durante toda a tarde: transformar oportunidades em resultado.
Eliminação começou antes de Nova Jersey
Seria injusto apontar apenas para os 90 minutos contra a Noruega. A eliminação é consequência de um ciclo que nunca encontrou estabilidade.
O Brasil viveu uma campanha decepcionante nas Eliminatórias, colecionou atuações inconsistentes e atravessou sucessivas mudanças de comando técnico. Houve um período de interinidade, incertezas sobre o planejamento e uma longa espera pela chegada de Ancelotti.
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Quando o italiano finalmente assumiu, o relógio já jogava contra. Faltava tempo para implantar ideias, consolidar uma identidade e fazer com que a equipe assimilasse completamente sua filosofia de trabalho.
A Copa acabou evidenciando esse cenário. O Brasil mostrou momentos de organização, competitividade e talento. Mas também mostrou oscilações típicas de um projeto ainda em construção.
Em torneios curtos, o tempo é um luxo que ninguém possui. E a Seleção pagou o preço por chegar ao Mundial sem uma base consolidada ao longo dos quatro anos anteriores.
A derrota para a Noruega não representa apenas o fracasso de uma partida. Representa o fracasso de um ciclo inteiro.
Fim da era Neymar
Todo fim de ciclo deixa uma sensação agridoce. E poucos encerramentos simbolizam tanto uma geração quanto a despedida de Neymar.
Durante 16 anos, a Seleção orbitou ao redor do camisa 10. Neymar foi protagonista, solução, esperança e, muitas vezes, alvo de cobranças. Sai como maior artilheiro da história do Brasil e uma das figuras mais marcantes do futebol brasileiro neste século.
Mas também deixa a Seleção sem o principal objetivo conquistado: a Copa do Mundo.
(Foto por ANGELA WEISS / AFP)
O adeus em Nova Jersey teve um tom melancólico. Apenas 55 minutos jogados em toda a competição, um gol de pênalti nos acréscimos e lágrimas no gramado. Um desfecho distante da imagem que o craque sonhou para si.
Ao lado dele, outros nomes históricos se aproximam naturalmente do fim da trajetória com a Amarelinha. Casemiro, Danilo e até Alisson representam uma geração que ajudou a manter o Brasil competitivo, mas que não conseguiu recolocar o país no topo do mundo.
Agora, a responsabilidade muda de mãos.
Vinicius Júnior, Raphinha, Rodrygo, Endrick, Estêvão e outros talentos passam a ocupar definitivamente o centro do palco. O próximo ciclo não será mais construído em torno de Neymar. Será a primeira Seleção verdadeiramente pós-Neymar desde 2010.
E talvez essa seja justamente a principal herança deixada pela dolorosa tarde em Nova Jersey: a certeza de que uma era terminou.
O hexa continua distante. Mas o futuro começou agora.





