A Prefeitura de Vera Cruz instaurou um processo administrativo disciplinar (PAD) para apurar a conduta de um inspetor de alunos, de 57 anos, investigado por supostos atos obscenos e importunação sexual durante o horário de trabalho na Emef Antônio Andrade Guimarães. A abertura do procedimento foi oficializada pela administração municipal por meio de portaria publicada no Diário Oficial do município em 29 de junho de 2026.
A medida decorre de um inquérito policial instaurado na delegacia da cidade após uma funcionária da escola registrar, em abril, denúncia relatando episódios recorrentes de suposta importunação sexual e ofensas morais atribuídos ao servidor. Conforme informado anteriormente, o inspetor foi transferido da unidade escolar após as denúncias, em 6 de maio de 2026.
De acordo com a portaria, a comissão processante irá apurar possíveis irregularidades funcionais graves supostamente cometidas pelo servidor no exercício de suas funções. O procedimento administrativo busca verificar eventual descumprimento de deveres estatutários e violações às proibições previstas no regime jurídico dos servidores públicos municipais, com fundamento nos artigos 158 e 159 da Lei Municipal nº 2.009/1992.
Polícia Civil mantém investigações
A Polícia Civil mantém o inquérito criminal em andamento na delegacia de Vera Cruz. Conforme informações apuradas, uma cuidadora de crianças compareceu à unidade policial para relatar supostas atitudes inadequadas praticadas pelo inspetor no ambiente escolar. A mulher atua no atendimento a estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) na unidade de ensino.
Segundo o boletim de ocorrência, a funcionária afirmou que o investigado a abordou de forma desrespeitosa no refeitório da escola, expondo informações pessoais e proferindo ofensas direcionadas à irmã dela diante de testemunhas.
Ela também relatou que, após o primeiro desentendimento, o servidor teria intensificado as hostilidades, chamando-a de “linguaruda” e proferindo palavrões em público, com o objetivo de constrangê-la no ambiente de trabalho.
Ainda conforme o relato, o investigado passou a adotar uma rotina de importunação sexual durante os intervalos escolares, aproximando-se fisicamente da cuidadora e de outras funcionárias, posicionando-se de forma excessivamente próxima atrás delas.
A denunciante afirmou ainda que presenciou o homem abaixando as próprias vestes para exibir os órgãos genitais em áreas comuns da escola.
Além disso, ela declarou que o inspetor utilizava o telefone celular durante o expediente para assistir a vídeos pornográficos e, segundo a denúncia, direcionava deliberadamente a tela do aparelho às mulheres presentes no refeitório, com a intenção de constrangê-las.
Por fim, a funcionária afirmou que outras três servidoras da escola também teriam presenciado as mesmas condutas atribuídas ao investigado. Segundo ela, os episódios provocaram um clima de medo, insegurança e intimidação entre as funcionárias da unidade.
Com a instauração do PAD, o servidor responderá administrativamente às acusações e poderá sofrer as sanções previstas na legislação municipal, incluindo a demissão, caso as irregularidades sejam confirmadas ao término da apuração.





