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Como esta startup apoiada pelo Mercado Livre quer digitalizar o mercado de …

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Bloomberg Línea — O mercado de pós-venda automotivo na América Latina movimenta bilhões de dólares anualmente, mas ainda patina em um gargalo histórico: a digitalização. Com mais de 20 milhões de tipos de itens (SKUs) circulando na região, vender uma peça na internet não é tão simples quanto vender um livro ou um eletrônico.

Existe a complexidade dos dados técnicos, imagens padronizadas e, acima de tudo, a compatibilidade — garantir que o amortecedor ou farol comprado sirva exatamente no ano, modelo e versão do carro do cliente.

Foi de olho nessa dor que os argentinos Gastón Zelerteins, Jonathan Saiegh e Javier Neumann fundaram a Alephee em 2017. Zelerteins e Jonathan são amigos de longa data e eram sócios em software house focada em nuvem com presença em vários países da América Latina e nos Estados Unidos.

Uma ligação mudou os negócios e abriu o caminho para a criação da Alephee. “O Mercado Livre ligou dizendo que estava começando a criar a categoria de venda de peças e falamos que poderíamos ver como ajudá-los enquanto software house”, conta Zelerteins, CEO da startup, durante o AWS Latam Startups, evento com empreendedores na Califórnia, nos Estados Unidos.

“Criamos um modelo onde as marcas criam o catálogo de peças, compartilham com os distribuidores e estes vendem nos marketplaces”, diz. Do MVP (mínimo produto viável), o projeto se transformou em negócio sob o nome de Alephee e atraiu o Mercado Livre como investidor inicial.

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Em 2021, Alephee passou pela Y Combinator e recebeu aportes de fundos como Tiger Global, Global Founders, FJ Labs e Soma Capital. Desde a fundação, a startup captou US$ 5 milhões.

Esse trabalho de catalogação — que inclui fotos com fundo branco, atributos técnicos por linha de produto e tabelas de compatibilidade por frota — é o núcleo da oferta e também sua maior barreira de entrada para concorrentes.

Leia também: Por que a corrida da IA não é uma nova bolha, segundo analista veterano do Citi

A startup afirma ter registrado cerca de 4 milhões de SKUs de quase 2.500 marcas, incluindo Bosch, Pirelli, Bridgestone e montadoras como Stellantis, GM, Volkswagen e Mercedes-Benz, que ficam disponíveis para distribuidores e revendedores.

Atualmente, estima-se que cerca de 15% das vendas da categoria de autopeças e componentes dentro do Mercado Livre passem pela infraestrutura da Alephee.

De acordo com dados da plataforma de e-commerce, a categoria de veículos é a maior atualmente, com mais de 11 milhões de anúncios ativos. A subcategoria de peças representa cerca de 60% do volume da vertical.

A startup opera no modelo SaaS, cobrando uma licença tanto das indústrias/montadoras quanto de cada distribuidor que utiliza a plataforma.

Da Argentina, a Alephee desembarcou em 2018 no Brasil, país que hoje representa 60% da receita da companhia. Hoje, a operação está em toda a América Latina, expansão muito vinculada ao Mercado Livre, que era o único marketplace ao qual a startup estava integrada até 2024.

No ano passado, os catálogos da Alephee entraram também para a Shopee, processo que também está em fase de desenvolvimento com o Magazine Luiza.

A startup também fechou uma parceria com a também argentina NuvemShop, focada em permitir que distribuidores criem seus próprios sites de e-commerce B2C proprietários integrando estoques e tabelas de preços de forma automática.

Para escalar os negócios e apoiar o avanço do negócio, com alta de 45% em receita nos últimos dois anos, a startup precisou fazer uma migração profunda de sua infraestrutura. O objetivo central era eliminar gargalos que limitavam a velocidade de abertura de novas contas de clientes.

“A partir dessa mudança, iniciada no ano passado, começamos a criar uma nova arquitetura de trabalho e de infraestrutura tecnológica. Este ano acontecem as últimas mudanças e teremos uma solução muito mais escalável”, diz Zelerteins.

A entrada no B2B

Ainda que o varejo digital chame a atenção, a Alephee se prepara para um mercado que é muito maior. Cerca de 90% do setor de autopeças na América Latina transaciona via B2B (entre fabricantes e distribuidores).

Há dois anos, a startup lançou um portal B2B para digitalizar os pedidos, historicamente feitos de forma descentralizada por telefone, e-mail ou WhatsApp. O portal já representa 20% do faturamento total da Alephee e iniciou agora o seu roll-out oficial no Brasil, após testes bem-sucedidos na Argentina e no México.

Além dos valores transacionados, a divisão já abre oportunidades para novas receitas, a partir do embedded finance, oferecendo inteligência de crédito, facilidades de pagamento e até seguros para mitigar sinistros na cadeia de suprimentos.

“Não vamos criar a estrutura financeira, vamos plugar os parceiros na nossa plataforma e ganhar via take rate de cada transação realizada”, afirma o empreendedor argentino.

Para financiar essa nova avenida de crescimento — que inclui aprimorar as ferramentas de inteligência artificial para análise preditiva de preços e logística de última milha — a Alephee prepara uma nova rodada de investimentos. A startup quer captar entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões nos próximos meses.

Apesar do crescimento em um ritmo em torno de 30% ao ano, o mercado digital de autopeças ainda engatinha e representa entre 5% e 8% do volume total, segundo dados de consultorias.

“Esses números mostram que podemos crescer muito mais”, diz. “Hoje, somos a única plataforma com presença no Brasil e em países de língua espanhola. Isso faz com que as marcas consigam criar um plano regional conosco.”

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