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Vale do Silício ‘invade’ NY, divide espaço com Wall St e cria novo polo de …

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Bloomberg — O número de profissionais da área de tecnologia na cidade de Nova York cresceu exponencialmente nos últimos anos. Esse crescimento é mais evidente ao longo da orla do norte do Brooklyn.

Em uma quarta-feira recente, profissionais da área de tecnologia — alguns vestindo camisetas do Google ou mochilas com a marca Meta — digitavam em seus laptops entre as aulas na academia de escalada Vital, em Williamsburg.

No Devoción, uma cafeteria, fundadores de startups faziam networking enquanto tomavam café frio. A poucos quarteirões de distância, o projeto de revitalização da Domino Sugar, liderado pela Two Trees Management, tornou-se um campus de tecnologia, no qual empresas de tecnologia e IA ocupam três quartos do espaço de escritórios na refinaria histórica e profissionais da área de tecnologia moram em cerca de um quarto das unidades de aluguel no One Domino Square, segundo a incorporadora.

“Se você passear pelas áreas de lazer dos nossos edifícios residenciais e comerciais, verá que estão lotadas de profissionais de tecnologia trabalhando remotamente”, disse Jed Walentas, diretor executivo da Two Trees Management. “De certa forma, estamos administrando uma gigantesca incubadora de tecnologia para Nova York.”

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Nova York é, há muito tempo, um reduto financeiro, mas o boom tecnológico dos últimos anos gerou uma nova onda de profissionais com altos rendimentos que têm ajudado a impulsionar a economia local e intensificado a concorrência pelo mercado imobiliário, especialmente no segmento de alto padrão.

O setor de tecnologia de Nova York criou mais de 42 mil empregos entre 2019 e 2024, tornando-se a maior fonte de novos empregos com altos salários da cidade, de acordo com um relatório do Center for an Urban Future, um think tank local apartidário, e da Tech:NYC, um grupo de defesa de interesses.

O número de profissionais de tecnologia que moram na cidade cresceu 45% desde antes da pandemia, superando todos os outros setores, segundo uma nova análise do Fiscal Policy Institute para a Bloomberg News.

Bairros cobiçados do Brooklyn, como Williamsburg e Bedford-Stuyvesant, registraram alguns dos maiores aumentos, recebendo milhares de profissionais de tecnologia, cada um, mesmo antes do recente boom de investimentos em IA.

O número de profissionais de tecnologia que moram na área de Downtown Brooklyn-Fort Greene dobrou, contribuindo para aumentar a concorrência pelo mercado imobiliário.

A análise em nível de bairro define o setor de tecnologia por indústria, e não por ocupação; assim, um engenheiro de software do JPMorgan Chase seria contabilizado como parte do setor financeiro, ao passo que um contador do Google seria considerado um profissional de tecnologia. As classificações setoriais são derivadas das respostas à pesquisa do censo em um período que abrange de 2015 a 2024.

À medida que o setor se expandiu, os salários dos profissionais de tecnologia de Nova York também cresceram.

A renda mediana dos moradores da cidade empregados no setor de tecnologia aumentou mais rapidamente do que na maioria dos outros setores, atingindo US$ 130 mil por ano em 2024 — mais do que o dobro da mediana dos demais trabalhadores do setor privado, segundo a análise do FPI.

Engenheiros de software de nível médio ganhavam cerca de US$ 285 mil anuais, de acordo com estimativas locais da Levels.fyi, uma plataforma que analisa dados de remuneração enviados pelos usuários, com cargos mais sênior chegando à faixa de US$ 300 mil por ano.

E embora empresas como a Oracle e a Meta tenham cortado empregos para se reestruturar em prol da IA, Julie Samuels, presidente e CEO da Tech:NYC, afirmou que o setor local está crescendo.

“O setor de tecnologia continua superando os empregos tradicionais do setor privado em termos de criação de vagas e remuneração”, disse Samuels.

Williamsburg

Os profissionais da área financeira ainda recebem salários em média mais altos, e os bônus de Wall Street continuam disparando, mas o crescimento do setor de tecnologia intensificou a competição entre os que ganham mais por moradia, vagas em escolas cobiçadas e reservas em restaurantes.

Em bairros muito procurados, como West Village e Brooklyn Heights, os corretores afirmam que profissionais de tecnologia e finanças agora disputam acirradamente tudo, desde aluguéis luxuosos e espaçosos até casas geminadas multimilionárias.

Enquanto os clientes de Wall Street costumavam representar três quartos dos negócios do corretor imobiliário Ian Slater, as vendas para os setores de tecnologia e finanças estão “meio a meio neste momento”.

“Antes da pandemia, os funcionários de fundos de private equity ou de hedge dominavam o mercado de luxo”, disse Slater, fundador da Trove Partners, da Compass.

“Ainda há compradores da BlackRock, da Ares e da Apollo hoje em dia, mas até mesmo eles estão enriquecendo com investimentos relacionados à tecnologia na OpenAI ou na Anthropic.”

A ascensão de outro setor de alta renda ajudou a fortalecer a economia da cidade de Nova York, apoiando empresas locais e gerando maior arrecadação tributária, disse Rahul Jain, vice-controlador da cidade de Nova York no gabinete do controlador estadual.

Ao mesmo tempo, “há uma disparidade cada vez maior de renda e salários na cidade”, disse ele. “A cidade está reagindo à desigualdade. Infelizmente, o mundo se move mais rápido do que guindastes ou políticas.”

Tecnologia em alta

Quando a covid-19 tornou o trabalho remoto a norma, muitos profissionais do Vale do Silício deixaram a Região da Baía de São Francisco. Alguns buscaram cidades mais acessíveis, como Austin. Outros migraram em massa para Nova York.

As big techs e os fundos de capital de risco seguiram o exemplo. O Google pagou US$ 2,1 bilhões por um amplo escritório no St. John’s Terminal, na parte sul de Manhattan, em 2021, e a Sequoia Capital abriu sua primeira filial na Costa Leste em 2022.

Hoje, Nova York conta com 8.750 startups financiadas, e grandes empresas de IA, como a Anthropic e a ScaleAI, intensificaram as contratações na cidade e ampliaram a área ocupada por seus escritórios.

Shafqat Dulal, engenheiro de software sênior da Meta que cresceu na Região da Baía de São Francisco, estava ansioso para escapar da bolha tecnológica em 2024 em busca de uma “vida mais plena” em Nova York.

Ele esperava ter que fazer algumas concessões na carreira, mas, até agora, “minha trajetória profissional parece melhor em Nova York”, disse Dulal, que tem conseguido trabalhar em iniciativas de IA de alto nível graças à sua mudança.

Gráfico

Wall Street continua forte, mas as empresas financeiras estão cada vez mais expandindo suas equipes fora do Empire State.

O JPMorgan, por exemplo, reduziu seu quadro de funcionários no estado de Nova York em 6.000 na última década, enquanto se expandia no Texas, onde sua força de trabalho agora supera a de Nova York, de acordo com a carta aos acionistas de 2026 do CEO Jamie Dimon. Um porta-voz do JPMorgan afirmou que o banco continua sendo um dos maiores empregadores da cidade de Nova York.

“A cada ano, o setor de tecnologia se torna cada vez mais importante para a economia da cidade de Nova York”, afirmou Jonathan Bowles, diretor executivo do Center for an Urban Future. Ele não está substituindo Wall Street, mas “acrescentando outro pilar de enorme importância”, disse ele.

Shafqat Dulal

O crescimento e as esperadas aberturas de capital da OpenAI e da Anthropic devem trazer mais riqueza para a economia da cidade. Em São Francisco, um boom de riqueza impulsionado pela IA já está provocando disputas acirradas pelo mercado imobiliário e fazendo os preços dos aluguéis dispararem.

No entanto, algumas autoridades de Nova York temem que a inteligência artificial também possa causar perturbações nos setores de colarinho branco da cidade, incluindo o financeiro e o próprio de tecnologia.

“A cidade de Nova York está exposta de maneira única às promessas e aos perigos potenciais da IA”, afirmou o Controlador de Nova York, Mark Levine, em uma coletiva de imprensa em maio.

Um relatório de seu gabinete alertou que a cidade precisa se preparar para os anos de incerteza que se avizinham, observando que a IA tem o potencial de impulsionar empregos e o crescimento econômico ou levar a demissões em massa.

Crise de acessibilidade

A economia pós-pandemia de Nova York tem se tornado cada vez mais desigual, com os aumentos salariais concentrados em setores bem remunerados, como tecnologia e finanças, disse Jain.

O número de contribuintes municipais com renda entre US$ 200 mil e US$ 350 mil por ano cresceu mais de um terço de 2019 a 2023, o maior salto entre todas as faixas de renda, de acordo com dados do Independent Budget Office. O número de pessoas com renda entre US$ 350 mil e US$ 750 mil anuais cresceu quase 30%.

O aumento do número de nova-iorquinos abastados ajudou a sustentar um aumento “surpreendente” nos aluguéis e vendas robustas de imóveis de luxo, afirmou Jonathan Miller, diretor de mercados da empresa de análise imobiliária StreetMatrix.

O mérito tem sido atribuído em grande parte ao setor de valores mobiliários, mas as fortunas do setor de tecnologia têm sido uma “força oculta”, disse ele.

Manhattan continua popular entre quem tem alta renda, mas a escassez de imóveis disponíveis e a preferência por espaços mais amplos, impulsionada pela pandemia, levaram mais profissionais de colarinho branco — além daqueles do setor de tecnologia — para o Brooklyn.

Gráfico

Em Fort Greene, onde a demanda tanto por parte de profissionais de tecnologia quanto do setor financeiro disparou, o preço mediano de venda de imóveis subiu para US$ 1,8 milhão em 2025, um aumento de 54% em relação a 2019, de acordo com a StreetEasy.

Isso representa mais do que o dobro do crescimento nos preços de venda em toda a cidade de Nova York no mesmo período.

O aluguel médio mensal no bairro saltou 61%, para mais de US$ 4.500 no ano passado.

No Eighty Nine Dekalb, um edifício residencial de luxo em Fort Greene onde apartamentos de dois quartos chegam a custar US$ 12.888 por mês, os profissionais da área de tecnologia representam cerca de 40% dos inquilinos, disse Whitney Arcaro, diretora de receitas do setor residencial da incorporadora RXR. Os profissionais da área financeira constituem a segunda maior parcela, afirmou Arcaro.

Os nova-iorquinos de baixa e média renda têm sofrido o impacto mais forte dos recentes aumentos no custo de vida da cidade, mas até mesmo alguns profissionais da área de tecnologia agora estão sentindo o aperto.

O Conselho de Diretrizes de Aluguel da cidade votou, na noite de quinta-feira (25), pelo congelamento dos aluguéis de cerca de 1 milhão de apartamentos regulamentados, cumprindo assim uma promessa central da campanha do prefeito Zohran Mamdani.

No relatório do Center for an Urban Future e da Tech:NYC sobre o crescimento do setor de tecnologia, líderes do setor afirmaram que a cidade de Nova York tem se tornado cada vez mais inacessível para profissionais de tecnologia em nível inicial e intermediário, mesmo enquanto continua atraindo talentos da área com salários mais altos.

O relatório também observou que muitos funcionários locais de longa data, que agora estão constituindo família, também enfrentam dificuldades para arcar com os custos de apartamentos maiores, adequados para famílias.

Samuels, da Tech:NYC, disse que o aumento do custo de vida é um dos principais obstáculos ao crescimento contínuo do setor de tecnologia da cidade.

“Eles têm condições de morar aqui? Querem mandar seus filhos para a escola aqui? Essas são questões de Nova York e, cada vez mais, questões que afetam o setor de tecnologia à medida que ele se integra mais à cidade”, disse Samuels.

A acessibilidade a longo prazo já é um tema muito debatido por Dulal, funcionário da Meta, e seus amigos do setor de tecnologia, que esperam um dia comprar uma casa e constituir família. Dulal, de 30 anos, achava que já seria proprietário de uma casa nesta altura, mas os custos habitacionais em alta em Nova York mudaram seus planos.

“Há muitas coisas a se considerar para uma permanência de longo prazo em Nova York, mas o fator mais restritivo é o custo da moradia”, disse Dulal. “Tentar comprar um imóvel aqui não é barato.”

Veja mais em Bloomberg.com

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