Entre as dúvidas que cercam a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, uma delas envolve justamente o principal nome da geração: Neymar. Recuperando-se de uma lesão muscular na panturrilha direita, o camisa 10 ainda não sabe se estará disponível para a estreia diante do Marrocos, mas segue sendo uma peça importante nos planos de Carlo Ancelotti.
Aos 34 anos, Neymar já não atua da mesma forma que encantou o mundo durante seus primeiros anos no Santos, no Barcelona ou até mesmo nas primeiras Copas do Mundo que disputou. O jogador passou por uma transformação natural ao longo da carreira e hoje oferece características diferentes à Seleção.
Mas afinal, como Neymar pode ajudar o Brasil na busca pelo hexacampeonato?
O cérebro da equipe
Se antes Neymar era conhecido principalmente pelos dribles, arrancadas e jogadas individuais, hoje seu principal diferencial está na construção ofensiva.
No Santos, o camisa 10 passou a atuar de forma mais centralizada, participando da organização das jogadas e funcionando como um verdadeiro armador. Frequentemente recua para receber a bola, acelerar transições e encontrar passes que quebram linhas defensivas.
Neymar em Brasil x Panamá. (Foto por MAURO PIMENTEL / AFP)
Essa mudança permite que ele participe mais do jogo sem depender tanto da explosão física que marcou o início de sua carreira.
Entre as linhas
Durante entrevistas nos amistosos preparatórios, Carlo Ancelotti deixou claro como imagina utilizar Neymar. Segundo o treinador, o atacante não deve atuar aberto pelos lados do campo. A ideia é utilizá-lo por dentro, ocupando espaços entre o meio-campo e a defesa adversária.
Na prática, seria uma função semelhante à exercida por Vinícius Júnior e Raphinha em determinados momentos dos amistosos: liberdade para circular pelo setor central, aproximar-se dos atacantes e aparecer em zonas de finalização.
Essa posição potencializa sua principal qualidade atual: a tomada de decisão.
O último passe
Mesmo com a redução no número de dribles por partida, Neymar continua sendo um dos jogadores brasileiros mais criativos.
Sua capacidade de encontrar passes em espaços curtos, inverter jogadas e servir companheiros permanece como um diferencial raro dentro do elenco.
Em partidas equilibradas, especialmente contra seleções que adotam linhas defensivas mais baixas, a capacidade de criar oportunidades através do passe pode ser decisiva.
Menos correria, mais eficiência
A adaptação física também faz parte da evolução do camisa 10. Nos últimos anos, Neymar passou a selecionar melhor os momentos para acelerar as jogadas. Hoje, utiliza mais a leitura tática, o posicionamento e o drible curto do que as longas arrancadas que marcaram sua juventude.
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— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) April 1, 2026
Esse perfil ajuda a preservar seu desgaste físico e permite que seja mais eficiente ao longo dos 90 minutos.
Liderança técnica
Além das questões táticas, Neymar continua sendo a principal referência técnica da Seleção.
Mesmo fora dos gramados durante parte da preparação para a Copa, sua presença influencia o ambiente do grupo. É um dos poucos jogadores do elenco com experiência em três Copas do Mundo e que já enfrentou diferentes cenários de pressão em grandes competições.
O papel de Neymar na Copa
Caso esteja recuperado, Neymar dificilmente será utilizado como um ponta tradicional. O cenário mais provável é vê-lo atuando como meia-atacante, organizando o jogo por dentro e conectando o meio-campo ao ataque.
Com Vinícius Júnior, Raphinha, Endrick e outros jogadores responsáveis por atacar a profundidade, o camisa 10 tende a assumir o papel de articulador da equipe.





