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75ª Prova Ciclística Internacional 9 de Julho celebra a história da modalidade no Brasil

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Maior e mais tradicional do Brasil, a Prova Ciclística Internacional 9 de Julho chega à sua 75ª edição carregando mais de nove décadas de história, suor e superação estampados no asfalto paulistano. A disputa de 2026 acontece tradicionalmente no feriado estadual que relembra a Revolução Constitucionalista de 1932 e este ano terá percurso na Marginal Pinheiros, em São Paulo.

As inscrições para a edição comemorativa dos 75 anos — que pela primeira vez em anos volta a receber ciclistas amadores de todo o país — estão abertas. Para participar, basta acessar o site oficial da prova: https://prova9dejulho.com.br/. O prazo é válido até 3 de julho de 2026 ou enquanto houver vagas disponíveis.

Uma história que atravessa gerações

A Prova Ciclística 9 de Julho nasceu da visão de um jornalista apaixonado pelo esporte e pela história de São Paulo. Idealizada em 1932 por Cásper Líbero — fundador do jornal A Gazeta — a competição foi criada para relembrar a Revolução Constitucionalista, levante paulista que marcou definitivamente a história política do Brasil. Sua inspiração veio de longe: o Tour de France, a maior corrida de ciclismo do mundo.

A primeira edição foi disputada em 16 de julho de 1933. Apesar da previsão inicial de 400 participantes, a forte chuva que caiu sobre São Paulo naquele dia reduziu o número de inscritos: 223 ciclistas largaram e 186 cruzaram a linha de chegada. A largada foi dada na Avenida Paulista, com o pelotão rumando a Santo Amaro. O clima adverso não impediu o espetáculo. Os irmãos José Ricardo e Antonio Magnani dominaram a prova de ponta a ponta, cruzando a linha diante de cerca de cinco mil espectadores, que lotaram a chegada. José Ricardo Magnani, representando o Brasil E.C., venceu com o tempo de 1h06min08s. Antonio cruzou apenas três segundos depois.

Grupo de ciclistas antes da largada da prova Ciclística 9 de Julho de 1933 (Foto: Acervo/Gazeta Esportiva)

Décadas de história no asfalto paulistano

Ao longo das décadas seguintes, a 9 de Julho foi muito mais do que uma corrida — foi um espelho do próprio Brasil. A prova acompanhou os anos de prosperidade e os períodos de turbulência, sendo suspensa durante a Segunda Guerra Mundial (1941–1946) e em momentos da Ditadura Militar. Cada retomada era também uma declaração de resistência e de amor ao ciclismo.

O percurso clássico atravessava as principais artérias da cidade: largava na porta da TV Gazeta, na Avenida Paulista, descia pela Avenida Rebouças, passava pelo Palácio do Governo, seguia até a região de Santo Amaro e Interlagos, contornava pelas Marginais Pinheiros e Tietê até o campo do Corinthians e retornava pelo Vale do Anhangabaú, pela Avenida 23 de Maio e pela subida da Brigadeiro, com chegada no Ibirapuera. Milhares de pessoas tomavam as calçadas para ver o pelotão passar — uma festa popular que misturava esporte e identidade paulistana.

Em 1947, a prova recebeu o título de Internacional, com a participação de atletas argentinos e uruguaios. No ano seguinte, o argentino Jorge Oliveira tornou-se o primeiro estrangeiro a cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, antecipando o caráter global que a competição viria a ter, com representantes de mais de 15 países ao longo de sua história.

A chegada das mulheres

Em 1985, a prova abriu suas portas para as mulheres. A carioca Cláudia Tourinho, então com 26 anos, tornou-se a primeira campeã feminina da 9 de Julho, conquistando o título na pista do Autódromo de Interlagos. O momento foi histórico. A partir dali o ciclismo feminino brasileiro ganhou um palco à altura de seu talento.

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A retomada e o recorde de público (2015–2016)

Após novo período de interrupção, a prova voltou às ruas de São Paulo em 2015. No ano seguinte, alcançou seu maior número de competidores: 2.129 participantes inscritos. Em 2024, uma novidade marcou a história da prova: pela primeira vez, a categoria Elite disputou um percurso pelo Sistema Anchieta-Imigrantes.

Os imortais da 9 de Julho

Ao longo de sua história, a prova construiu um panteão de campeões que definem o que há de melhor no ciclismo nacional e internacional. José Ricardo Magnani, o primeiro campeão, sagrou-se tricampeão ao vencer também em 1934 e 1940. Rolando Montesi (1937, 1938 e 1947) e Ailton Souza (1982, 1985 e 1988) seguiram o mesmo caminho. Wanderley Magalhães dominou o início dos anos 1990 com três títulos consecutivos (1989, 1990 e 1991).

O maior vencedor da história da prova é o velocista argentino Francisco Chamorro, com quatro conquistas — sendo a última em 2025. Entre as mulheres, a franco-brasileira Cláudia Carceroni e a brasileira Luciene Ferreira dividem o topo do ranking feminino, com quatro títulos cada.

75 anos de história viva

Para marcar a edição comemorativa, a prova ganhou um rebranding com nova identidade visual que une o legado histórico a um traço contemporâneo: linhas arredondadas formando a silhueta de um ciclista em posição aerodinâmica, com o número 9 inserido na roda traseira — símbolo que condensa em um único gesto toda a tradição do evento.

9 de julho 2026

Inscrições, kits, categorias e percursos

São três opções de kits para os ciclistas amadores: o Básico (R$ 129,90 + taxas), o Intermediário (R$ 219,90 + taxas) e o Premium (R$ 299,90 + taxas). O Kit Básico conta com número de dorso, adesivo para o capacete, chip e medalha, enquanto o Kit Intermediário agrega camiseta e sacochila. Já o Kit Premium, o mais completo, traz número de dorso, adesivo para o capacete, jersey, camiseta, sacochila, chip e medalha.

Com premiação total de R$ 57 mil, as categorias entre os atletas federados são Elite, Open Master (a partir de 30 anos), Sub-23 (19 a 22 anos) e Júnior (17 e 18 anos). Os percursos são de 100 km para os homens e 75 km para as mulheres. Para os ciclistas amadores, a distância será de 50 km, tanto no masculino quanto no feminino.





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