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boca de urna indica empate técnico antes de resultados oficiais

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Bloomberg — Os peruanos estavam em suspense no domingo (7), conforme pesquisas de boca de urna ofereceram pouca clareza sobre qual candidato venceria o disputadíssimo segundo turno para se tornar o próximo presidente do país.

Uma pesquisa de boca de urna da Ipsos mostrou a conservadora Keiko Fujimori com 50,7% dos voto, enquanto o esquerdista Roberto Sánchez tinha 49,3%. Outra pesquisa da empresa Datum projetou Fujimori em 50,53% e Sánchez em 49,47%. Ambas as pesquisas tinham margem de erro de três pontos.

“Temos que ler isso como um empate técnico”, disse Guillermo Loli, diretor sênior da Ipsos. “Temos que encarar isso com calma e esperar as contagens rápidas.”

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Ipsos e Datum pretendiam divulgar essas contagens com base numa amostra de seções eleitorais por todo o Peru ainda esta noite, que devem trazer mais clareza, já que costumam ter margem de erro de cerca de um ponto, disse Loli. Mas os resultados oficiais finais só são esperados para meados de julho.

Leia também: Sánchez ou Fujimori? O que está em jogo na eleição presidencial do Peru neste domingo

Os dois candidatos têm ideias drasticamente diferentes sobre como liderar a nação politicamente turbulenta, com uma economia que conseguiu superar seus pares apesar de passar por quatro presidentes nos últimos cinco anos. O vencedor sucederá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho para um mandato de cinco anos.

Patricio Navia, cientista político da Universidade de Nova York, disse que está a eleição está incrivelmente apertada, e que qualquer vantagem que Fujimori possa ter nas contagens iniciais vai diminuir conforme chegam os votos das regiões serranas e de selva, onde Sánchez tem bom desempenho.

“A aposta mais sensata é em Keiko vencer, por uma margem muito pequena, mas vencer mesmo assim”, disse ele.

Keiko Fujimori é uma das políticas mais poderosas do Peru, e seu partido Força Popular exerceu influência significativa no Congresso mesmo tendo ficado em segundo lugar na disputa presidencial em três eleições consecutivas de 2011 a 2021.

O legado de seu pai, o ex-líder Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos e corrupção, pesou em suas candidaturas anteriores.

Leia também: Guerra no Oriente Médio afeta turismo global, enquanto América Latina mantém crescimento

Conservadora, ela prometeu políticas de mão pesada contra o crime e é vista de forma positiva entre investidores que favorecem suas políticas pró-mercado. Sua vitória adicionaria o Peru à onda de países latino-americanos que migram para a direita, enquanto Sánchez conduziria o país na direção oposta.

Fujimori prometeu deportar imigrantes sem documentos que cometem crimes, dar às forças armadas o controle da fronteira e replicar o megapresídio de alta segurança que El Salvador construiu sob o presidente Nayib Bukele.

Ela também prometeu dobrar o crescimento econômico anual dos atuais 3% para 6%, cortar a burocracia e introduzir taxação zero para pequenas empresas a fim de impulsionar a formalização numa economia onde 70% permanece informal.

Uma alta de Sánchez provavelmente abalaria os investidores, em parte porque ele se apresentou como o herdeiro do ex-presidente de esquerda radical Pedro Castillo, que está preso desde que tentou um golpe em 2022.

Sánchez, que foi ministro do Comércio Exterior e Turismo de Castillo, prometeu perdoá-lo e levar adiante seus planos de reescrever a constituição pró-mercado do Peru, argumentando que ela limita a capacidade do Estado de orientar o desenvolvimento econômico e gerenciar recursos estratégicos.

Ele conquistou apoio nas regiões andinas mais pobres do Peru graças às suas promessas de aumentar o salário mínimo, fortalecer a agricultura familiar em vez do agronegócio e dobrar os gastos públicos nas áreas rurais. Mas, como foi o caso de Castillo, Sánchez teria dificuldade de aprovar reformas significativas, pois não teria maiorias no novo Congresso fragmentado.

— Com colaboração de Antonia Mufarech.

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