Qual é o principal risco para o agronegócio brasileiro em 2026? Segundo a EY, são as mudanças climáticas. Essa foi a conclusão de um estudo feito pela consultoria para identificar fatores que apresentassem a maior assimetria entre tamanho do risco e a preparação das organizações para lidar com eles.
A conclusão foi obtida a partir de 52 entrevistas com empresas e produtores rurais brasileiros, sendo que metade dos respondentes tinham um faturamento acima de R$ 3 bilhões por ano e, a outra metade, acima desse corte. A amostra inclui, ainda, grupos com faturamento acima de R$ 60 bilhões.
Uma pesquisa similar já havia sido feita em 2022, também apontando as mudanças climáticas como a principal vulnerabilidade para o setor. Para Otávio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY, ainda falta um zoneamento agrícola aprimorado diante do cenário atual de mudanças climáticas.
“Se você for plantar numa área de baixo risco climático e considerar manejo, adoção da genética, essas perdas poderiam ser muito reduzidas. Mas a gente continua insistindo nisso. O que vem mudando é que o seguro agrícola e o crédito estão começando a precificar todo esse risco”, afirmou Lopes, ao The AgriBiz.
Na visão do executivo, esse movimento, de um custo de capital cada vez mais caro para regiões mais vulneráveis, deve desestimular a produção em determinadas partes do País, contribuindo para o deslocamento de áreas de plantio cada vez mais “para cima” no mapa.
Além das questões climáticas, o estudo feito pela EY se propôs a analisar outros nove fatores de risco para o agronegócio brasileiro, a partir das respostas das empresas que atuam no País.
Enquanto o clima é um fator incontrolável, a segunda principal dor de cabeça para as empresas parece de mais fácil alcance — ainda que encontrar uma solução para ela seja uma tarefa igualmente complexa. Trata-se de mão de obra.
Em 2022, esse tópico ocupava a oitava posição no ranking entre os 10 maiores riscos para o setor. Neste ano, saltou para a vice-liderança, impulsionada principalmente por problemas de sucessão e avanço da tecnologia, segundo Lopes.
“Vamos pegar um exemplo prático de adoção de inteligência artificial. Como você atrai profissionais que estão em alta, cobiçados pelos grandes centros urbanos para trabalhar no campo? Tudo isso tem uma mudança de cultura”, ressalta o sócio.
Mesmo antes da IA, alguns movimentos começaram a emergir no País. Cooperativas no Paraná, por exemplo, via sistema Ocepar (o sindicato que as representam) criaram a UniTI (Cooperativa Central de Tecnologia da Informação) em 2021, justamente de olho em democratizar o acesso à tecnologia a médios produtores.
Geopolítica
A geopolítica aparece pela primeira vez nos três principais riscos para o setor — um fator para o qual o timing da pesquisa também colabora. As questões foram respondidas entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, período em que já havia sido colocado o tarifaço de Donald Trump sobre uma série de produtos agropecuários no País.
Junto com o tarifaço, tópicos como EUDR (a legislação europeia para importações) e as dúvidas em relação à China também aparecem no rol de preocupações das empresas do agro.
“Eu acredito que se a pesquisa tivesse começado mais tarde e o corte fosse em maio, por exemplo, esse tópico estaria ainda mais para cima no ranking, porque de fato é uma grande preocupação que temos visto. Esse tema de resiliência global está no topo das preocupações de todo mundo”, frisou Lopes.





