Há galinhas e coelhos num pátio. Somando todas as cabeças, o total é 20; somando as patas, são 56. Quantas galinhas e quantos coelhos estão lá?
Recebi esse problema de lógica do Mister Pi – um chatbot que tira dúvidas de matemática via whatsapp – quando estava me preparando com meu filho de 11 anos para a olimpíada de matemática para pais e filhos da escola.
O bot enviou uma lista de equações e problemas de lógica que poderiam cair na prova. Começamos a resolver, e “ele” foi ajudando com as dúvidas. “E não esquece de me contar seu raciocínio”.
O Mister Pi é uma ideia descomplicada para resolver um problema complexo: ajudar a ensinar matemática e tirar dúvidas para quem não tem para quem perguntar. “E fazer isso em escala,” Felipe Kaplan, o criador do bot, disse ao Brazil Journal.
Do alto de seus 17 anos, Kaplan hoje cursa o segundo ano do ensino médio da Escola Americana do Rio de Janeiro. Em 2024, antes do Mister Pi, ele já havia criado o Conte Comigo, um projeto em que os alunos da sua escola davam aulas particulares a crianças e adolescentes da Rocinha.
“Mas uma aula por semana, para 10 ou 15 alunos, estava muito longe de ser suficiente,” disse o empreendedor social.
Ele decidiu então testar modelos que fossem capazes de ensinar matemática de forma remota – e chegou ao formato de um bot que usa inteligência artificial para dar esse suporte via whatsapp, “como um contato”, sem consumir muita capacidade do celular ou computador.
A primeira versão ficou pronta em abril de 2025, e foi sendo aprimorada numa fase de testes com alunos da Fundação Darcy Vargas, que oferece cursos gratuitos de ensino fundamental e médio, e com os alunos do Conte Comigo.
Quando o modelo estava ok, Felipe Garcia – também aluno da Escola Americana – entrou no projeto para divulgar o Mister Pi e aumentar a base de usuários. Isso tem sido feito com a ajuda de influenciadores e de outros alunos que apresentam o bot em escolas.
Hoje o Mister Pi tem cerca de 5 mil usuários de escolas públicas e privadas.

O último ajuste no código aconteceu depois que Kaplan fez um estágio na secretaria municipal de educação do Rio, no início do ano. “Quando recebíamos mensagens inadequadas ou palavrões, o bot simplesmente ignorava, mas isso não é suficiente: é preciso orientar.”
Os Felipes já começaram, mas precisam refinar os modelos para aferir a evolução dos alunos que passaram a usar o Mister Pi para resolver dúvidas.
Outros planos para o segundo semestre são fazer um piloto em escolas municipais do Rio, levar o bot para países africanos como Angola e Moçambique – e levantar recursos com investidores para pagar tudo isso mais as despesas do uso das ferramentas de IA. Os dois ainda não sabem se o formato final da empresa será for profit ou non-profit – mas continuam trabalhando.
Ah, a resposta do problema acima é: 12 galinhas e 8 coelhos. “Mandou bem demais,” disse o Mister Pi.





