Jamie Dimon e Brian Armstrong, o CEO da Coinbase, estão em rota de colisão.
Enquanto o Congresso dos EUA discute o Clarity Act, a legislação que estabelece bases legais para a indústria cripto operar no país, os chefes do maior banco do mundo e da maior corretora de ativos digitais dos EUA travam uma guerra de influência para tentar direcionar o texto final da lei a favor de suas respectivas indústrias.
Contra todos os prognósticos, Armstrong parece estar ganhando o cabo de guerra – e Dimon está p*to.
A principal discórdia entre as partes é a tentativa das corretoras cripto de legalizar programas de recompensa atrelados à posse de stablecoins, uma demanda que o texto atual do Senado contempla.
Na visão dos bancos, no entanto, a medida não pode avançar, pois permite que a Coinbase e outras corretoras rivalizem com as contas remuneradas dos bancos sem precisar seguir as regulamentações impostas às instituições financeiras tradicionais – o que possivelmente resultaria em uma fuga de depósitos dos bancos.
O duelo entre Dimon e Armstrong vinha sendo travado principalmente nos bastidores, mas esta semana – após o CEO da Coinbase anunciar um produto que paga rendimentos sobre depósitos e em meio ao avanço do Clarity Act no Comitê Bancário do Senado, numa rara derrota do lobby dos bancos em Washington – o banqueiro decidiu atacar o rival publicamente.
O CEO do JP Morgan disse à Fox Business que a Coinbase está agindo sozinha e gastando centenas de milhões de dólares para influenciar a redação da lei. “Haverá resistência. Ninguém vai se curvar a esse cara, ou a essa empresa,” disse.
Sobre a afirmação de Armstrong de que está representando toda a indústria cripto na discussão, Dimon disse que o rival está “full of shit” (mentindo).
O CEO da Coinbase respondeu postando no X uma montagem em que ele e Dimon assumem os papéis dos protagonistas da série Heated Rivalry – uma escolha curiosa, já que a produção retrata dois jogadores de hóquei rivais que vivem um romance secreto.
“Eu tenho muito respeito por Jamie Dimon, então foi meio triste ouvir o que ele disse,” Armstrong disse ao site Politico. “Acho que, em geral, quando as pessoas se comunicam pela mídia, as nuances se perdem.”
(A fala de Dimon, registrada em vídeo, não tem muita nuance.)

Ao ser questionado pelo site se sabia que os rivais de Heated Rivalry eram na verdade amantes, Armstrong foi irônico. “Como eu disse, tenho muito respeito por Dimon.”
A indústria cripto fez uma grande aposta na eleição de 2024 – se aproximando do Presidente Trump e formando um Super PAC de mais de US$ 100 milhões para impulsionar candidatos simpáticos à causa. Os esforços parecem estar sendo recompensados.
Mesmo senadores tidos como aliados dos bancos no passado têm trabalhado com um alinhamento maior às empresas cripto no assunto, segundo o Politico.
O Clarity Act foi aprovado na Comissão Bancária do Senado em maio com um freio às contas cripto remuneradas, mas Dimon e aliados acreditam que as corretoras ainda terão muita margem para atuar no negócio.
O texto veda – de maneira genérica, segundo os bancos – recompensas “sobre o saldo de uma stablecoin de pagamento que sejam econômica ou funcionalmente equivalentes ao pagamento de juros ou rendimentos sobre um depósito bancário remunerado”.
Os bancos têm reforçado sua estrutura de lobby e seguem lutando para endurecer a regra, mas, diante da posição minoritária em D.C., sua torcida pode pender para um travamento da pauta no Congresso.
O cenário, catastrófico para a indústria cripto, pode se materializar caso o plenário do Senado não aprecie o tema antes do recesso de verão, que se inicia no fim de julho e vai até o início de setembro.
Na volta aos trabalhos, os parlamentares ficarão concentrados nas eleições de outubro, que podem voltar a dar maioria na Câmara aos democratas e complicar de vez a aprovação da lei.
Além da questão específica de depósitos remunerados, o Clarity Act trata de questões mais amplas de supervisão regulatória, de emissão de criptoativos e de proteção ao consumidor.





