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Justiça pede exame mental de réu que ateou fogo na Penitenciária de Marília • Marília Notícia

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Oito detentos morreram em incêndio na Penitenciária de Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A Justiça suspendeu o processo principal que apura o incêndio na Penitenciária de Marília, ocorrido em novembro do ano passado e que resultou na morte de oito detentos. A decisão tem como objetivo investigar a saúde mental e uma possível dependência química de Leandro Inácio da Silva, apontado como responsável pelo fogo. Ele permanece preso na Penitenciária 2 (P2) de Pirajuí.

A audiência virtual de instrução, debates e julgamento foi presidida pelo juiz Fabiano da Silva Moreno. O réu acompanhou a sessão diretamente da unidade prisional. Após a oitiva de testemunhas e vítimas, Leandro foi interrogado.

Com base nas declarações apresentadas pelo acusado, o magistrado determinou a conversão do julgamento em diligência e instaurou um Incidente de Insanidade Mental e de Dependência Toxicológica, suspendendo imediatamente a tramitação do processo principal.

A perícia deverá apurar se, na época dos fatos, o réu era capaz de compreender o caráter ilícito de suas ações e de agir de acordo com esse entendimento. Os exames também vão avaliar a eventual influência de transtornos mentais, desenvolvimento mental incompleto ou dependência química sobre sua conduta.

Por estar preso, Leandro deverá ser submetido às avaliações com prioridade. Caso os laudos apontem inimputabilidade ou semi-imputabilidade, a Justiça poderá analisar a substituição de eventual pena por medida de segurança, como internação ou tratamento ambulatorial.

Mortes na prisão

O incêndio ocorreu em 25 de novembro de 2025 na Penitenciária de Marília. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o fogo começou depois que um detento ateou fogo aos próprios pertences.

Policiais penais iniciaram o combate às chamas até a chegada do Corpo de Bombeiros e das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Sete presos morreram no dia do incêndio em razão da inalação de gases tóxicos.

As primeiras vítimas foram identificadas como Charles Andrey Souto Silva, de 44 anos; Wender Felipe Maciel, de 25; Matheus Gregório da Silva, de 22; Caio Vinícius Oliveira, de 25; Thiago Nascimento de Oliveira, de 33; Doildo Diego Pires, de 35; e Wallace Ferreira dos Reis, de 22 anos.

A oitava vítima, Augusto da Silva Gonçalves, de 34 anos, morreu cinco dias depois, em 30 de novembro.

De acordo com as investigações, o incêndio foi provocado por Leandro durante um ato de resistência à intervenção de policiais penais no setor de inclusão da unidade. A fumaça se espalhou pelas celas que abrigavam 14 detentos, causando a tragédia.





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