No “arraiá” dos pequenos negócios – que ocupam todos os espaços das festas até o fim de julho –, não faltam oportunidades para os mais diferentes tipos de empreendimentos, além da produção de quitutes para a venda nas barraquinhas.
Quem é da moda, papelarias, decoração, experiências infantis, fotografia e audiovisual, beleza, brechós, turismo de experiência, entre tantos outros, pode se beneficiar deste momento único da cultura popular brasileira. Somente em 2025, mais de R$ 7,4 bilhões foram movimentados em todo o país com as festas típicas, segundo o Ministério do Turismo.
O impacto vai muito além dos tradicionais quitutes juninos. Esse é um dos períodos mais relevantes do ano para transformar manifestações culturais em oportunidade concreta de faturamento, visibilidade de marca e conexão com o público. O São João tem importância estratégica para renda, ocupação e circulação econômica nos territórios.
Cyntia Uchoa, coordenadora da Rede de Cultura e Economia Criativa do Sebrae Nacional
Para a coordenadora do Sebrae, além da comercialização de produtos, o período evidencia uma mudança importante no comportamento do consumidor: cresce a busca por experiências completas, afetivas e conectadas com a identidade cultural. “Não basta vender, é preciso gerar pertencimento, memória e conexão com o público”, aponta.

É neste caminho que a Nova Turismo, de Campina Grande (PB), tem investido. No mercado há mais de duas décadas, a empresa chefiada pela empresária Albaniza Farias proporciona, para este período de festividades, uma rota turística aos clientes com o Ônibus do Forró, uma experiência procurada pelos turistas para viver a cultura nordestina de forma imersiva.
“Durante o São João, o faturamento cresce bastante, porque, além do transporte turístico, oferecemos uma vivência cultural completa, com trio de forró pé de serra, embolador de coco, interação cultural e um percurso que conecta o turista à essência da nossa cultura. A experiência faz com que muitos visitantes retornem em outros anos e ainda indiquem para amigos e familiares”, comenta Albaniza.
“Hoje o turista busca memória afetiva, autenticidade e conexão cultural. Conosco o visitante não apenas passeia: ele canta, dança, conhece histórias, interage com artistas locais e se sente parte do São João de Campina Grande”, completa.

Oportunidades
A microempreendedora individual Edileuza de Almeida, também de Campina Grande (PB), conta que neste período que antecede o São João o faturamento aumentou em 50% com as roupas para as quadrilhas. “Faz três meses que começamos. Para quem é do ramo junino, não falta trabalho. São vestidos, arranjos de cabelo, faixa para colocar na rainha e na princesa, e por aí vai. É lucro na certa investir nessa área”, conta a costureira.
Segundo Edileuza, uma orientação do Sebrae que ela nunca mais esqueceu é fazer o controle de caixa. “As dicas em relação à questão financeira foram muito proveitosas. Hoje procuro anotar tudo o que entra e o que sai, fazendo o controle”, destaca.
Prepare-se!
Como as festas juninas neste ano estarão juntas com o período de disputa da Copa do Mundo, o Sebrae orienta que a preparação e o planejamento dos estabelecimentos já devem começar. Por isso, é necessário rever o estoque, a organização da operação, a estratégia digital, a ambientação temática e a construção de parcerias locais para ampliar alcance e vendas. Confira algumas dicas:
- Planejamento de estoque e operação
É fundamental antecipar compras, organizar fornecedores e calcular demanda. Produtos típicos têm aumento de procura e, muitas vezes, de preço. - Experiência e ambientação
O consumidor busca imersão cultural. Decoração temática, música, figurino, atendimento caracterizado e espaços instagramáveis fazem diferença. O Sebrae observa que experiências visuais e afetivas têm alto potencial de engajamento, divulgação espontânea e fidelização do público, especialmente quando associadas à identidade local. - Presença digital
As festas juninas se tornaram altamente compartilháveis nas redes sociais. Empreendedores podem investir em divulgação antecipada de produtos e serviços, cardápios digitais, vídeos curtos, reels, influenciadores locais e agenda de eventos. - Parcerias locais
Uma tendência crescente é a colaboração entre pequenos negócios. Esse movimento fortalece o conceito de rede territorial criativa. Sugestões de parcerias:
• restaurantes + artesãos;
• músicos + feiras criativas;
• produtores rurais + cafeterias;
• marcas autorais + eventos comunitários.





