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Morro Verde triplica produção de fosfato após fusão com Massari

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Anunciada antes da guerra no Oriente Médio chacoalhar o mercado global de fertilizantes, a fusão entre a Massari e a Morro Verde já começou a aumentar a produtividade da mina de fosfato da empresa, localizada em Pratápolis, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

“Nos últimos meses, demos uma importância muito grande ao aumento de produtividade. Hoje, nós já estamos produzindo em Pratápolis, onde fica a Morro Verde, quase três vezes o que produzimos em 2025”, disse Sérgio Saurin, CEO da Massari e da Morro Verde, ao The AgriBiz.

A reserva de fosfato em Pratápolis é a maior do País fora das mãos de multinacionais, com mais de 100 milhões de toneladas e uma vida útil de pelo menos 50 anos. A mina estaria, portanto, apta a produzir 2 milhões de toneladas por ano de fosfato.

A recente expansão foi possível graças a um investimento de R$ 20 milhões na unidade, elevando a capacidade de produção de fosfato natural reativo de 400 mil para 1,2 milhão de toneladas por ano.

“Enquanto o mundo fala em escassez, nós estamos expandindo capacidade.” O fósforo natural reativo é um tipo de rocha fosfatada usada como fertilizante em solos tropicais com uma alta acidez, como o do Brasil.

Os investimentos não devem parar por aí. O plano estratégico prevê atingir uma capacidade produtiva de 5 milhões de toneladas de fertilizantes minerais mistos por ano nos próximos três anos, ante as 3 milhões de toneladas logo após a fusão. Em faturamento, o objetivo é saltar de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão no mesmo intervalo.

Por trás dos números, está a ambição de aumentar a oferta nacional de fertilizantes e reduzir a dependência das importações. Atualmente, o Brasil precisa trazer de outros países mais de 80% dos fertilizantes que consome.

Como alternativa aos fertilizantes químicos tradicionais, predominantemente importados, a Massari Morro Verde oferece um portfólio de fertilizantes minerais mistos, que são desenvolvidos a partir de rochas nacionais e formulados de acordo com as características dos solos tropicais.

Segundo Saurin, os produtos têm custo competitivo, apresentam um menor impacto ambiental e oferecem maior eficiência agronômica no longo prazo. Mas, para avançar, é preciso quebrar tabus junto aos produtores rurais.

“O comprador precisa entender que o modelo agronômico brasileiro pode ser feito através de rochas. No nosso caso, através de minerais. E é isso o que estamos fazendo na fusão entre a Massari e a Morro Verde. Utilizamos rochas tropicais para desenvolver produtos que atendam à necessidade do agricultor brasileiro”, disse.

Aumento da demanda

A crescente instabilidade geopolítica — e consequentes rupturas no fornecimento de fertilizantes e aumentos de preço — tem despertado maior interesse por fertilizantes minerais no Brasil, segundo Saurin, fundador da Massari.

“Toda a crise traz oportunidades de mudança, e eu vejo esse momento como de grande oportunidade de repensar um modelo que seja mais conveniente para o solo, para o bolso e para os negócios”, afirmou.

“Em dez anos, nós nunca fomos tão chamados para falar a respeito das 80 mil análises de solo que temos feito na Massari para defender a nossa tese”, disse o executivo. “Fosfato deixou de ser apenas fertilizante. Virou segurança estratégica”.

Sinergias

Segundo Saurin, os negócios de Massari e Morro Verde são complementares, o que amplia o potencial de sinergias. A Massari é uma desenvolvedora de formulações customizadas a partir das matérias-primas de suas minas, como calcário, enquanto a Morro Verde vinha se concentrando no aumento da capacidade da mina de fosfato.

Além de aumentar a oferta de formulados combinando as matérias-primas das duas empresas, o crescimento esperado também deve vir de parcerias com produtores de calcário regionais, contou o executivo.

“Eles têm as reservas e a parte industrial. Nós levamos a tecnologia e os equipamentos para deixar de fazer o calcário convencional e começar a fazer fertilizantes minerais mistos.”

Atualmente, a empresa tem joint venture nesses moldes no Tocantins, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e está avaliando parcerias semelhantes no sul do País, segundo o executivo.

“Estamos presentes em 60% do potencial agrícola brasileiro e queremos estar presentes em pelo menos 75% nos próximos dois anos”, disse. “Se depender de nós, não vai faltar fosfato para o agricultor brasileiro”.



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