A nova regra que determinou o fim da obrigatoriedade da baliza trouxe alívio aos futuros motoristas e provocou impacto imediato nos resultados dos exames práticos de direção em Marília. É o que revela o comparativo entre as avaliações realizadas nos primeiros quadrimestres de 2025 e 2026.
Desde que o exame de baliza deixou de ser obrigatório para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em fevereiro deste ano, o cenário das avaliações práticas mudou significativamente na cidade. O número de candidatos reprovados no primeiro quadrimestre caiu 44,41%, enquanto as aprovações aumentaram 28,10%.
De acordo com a tabela de resultados, o total de candidatos aprovados passou de 1.502 nos quatro primeiros meses de 2025 para 1.924 no mesmo período de 2026. O avanço representa crescimento de 28,10% nas aprovações.
Em contrapartida, sem a necessidade de realizar a etapa considerada por muitos a mais difícil do exame, a quantidade de candidatos reprovados diminuiu de forma expressiva. O número caiu de 608, entre janeiro e abril de 2025, para 338 no mesmo intervalo de 2026, o que corresponde a uma redução de 44,41%.
O levantamento mostra ainda aumento no volume geral de testes aplicados pelo órgão de trânsito em Marília. O total de exames passou de 2.110 nos quatro primeiros meses de 2025 para 2.262 no mesmo recorte de 2026.
Embora os números sejam comemorados por futuros motoristas, que veem a retirada da baliza como um fator facilitador no processo de habilitação, a mudança preocupa instrutores e especialistas. A principal preocupação está relacionada à possível defasagem no aprendizado e às consequências para a segurança viária.
O especialista em trânsito Rubens Nonato avalia que a questão está ligada à falta de um sistema educacional mais robusto. Para ele, o problema não é a baliza em si — que, segundo afirma, o motorista “pode aprender em qualquer lugar” —, mas a ausência de conhecimentos básicos de direção defensiva e de convivência no trânsito.
Nonato critica o modelo atual de ensino, no qual muitos candidatos se concentram em memorizar regras para passar na prova, sem desenvolver a capacidade de interpretar situações reais enfrentadas nas vias. O especialista alerta que, embora o aumento das aprovações seja celebrado neste momento, os efeitos da mudança podem aparecer nos próximos anos.
“Esse reflexo vai ser a partir do ano que vem, quando as estatísticas começarem a aumentar. Já são inúmeras vítimas diariamente que perdem a vida no trânsito no Brasil e essas aprovações em massa podem aumentar ainda mais os índices de acidentes e mortes nos próximos anos”, afirmou Nonato.





