Um vídeo gravado por um morador no início desta semana, em uma ponte de estrada rural na divisa entre os municípios de Marília e Ocauçu, levantou dúvidas sobre a qualidade da água do Rio do Peixe.
Nas imagens, o autor denuncia a presença de grande quantidade de resíduos de madeira nas águas e atribui a situação às atividades de corte e reflorestamento realizadas por uma empresa que atua na região.
O morador mostra a correnteza carregando o que descreve como “toneladas” de sujeira e restos de madeira. Indignado, ele questiona o compromisso ambiental da multinacional especializada na produção de celulose solúvel.
“A Bracell tem o lema de que cuida do meio ambiente. Reflorestamento. Será que é desse jeito aqui? Quem é que vai pagar por isso?”, questionou o mariliense, que não se identificou na gravação.
Procurada pelo Marília Notícia, a Bracell informou, em nota, que “suas atividades de manejo florestal seguem a legislação ambiental vigente, incluindo a conservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs)”.
“Mesmo diante do elevado volume de chuvas registrado na região e considerando a extensão da bacia hidrográfica do Rio do Peixe, as estruturas de contenção seguem preservadas e desempenhando normalmente sua função”, informou a empresa.
Ainda na nota, a Bracell afirmou que “realiza suas operações florestais com medidas de conservação do solo e proteção dos recursos hídricos, como terraços, curvas de nível, caixas de contenção, monitoramento técnico e manutenção periódica das estruturas”.
Prefeitura e Cetesb
Apesar da denúncia sobre os detritos de madeira no Rio do Peixe, a avaliação oficial da Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Serviços Públicos, e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aponta para outra explicação.
Segundo os órgãos, a forte chuva registrada no último sábado (23) foi responsável por alterar significativamente a turbidez de rios, lagos e represas da região. A explicação técnica é que o grande volume de precipitação movimentou sedimentos e resíduos orgânicos depositados no fundo dos cursos d’água, trazendo a sujeira para a superfície.
A Cetesb reforçou que, até o momento, não há elementos que permitam relacionar o material observado a fatores externos aos rios. Em nota oficial, a administração municipal informou ter comunicado a situação à companhia ambiental para a realização de avaliação técnica, análise dos materiais coletados e adoção das medidas cabíveis.
Por outro lado, a Cetesb declarou ao MN que não foi acionada pela Prefeitura de Marília.
Apesar da divergência sobre a notificação oficial, a agência ambiental do Estado afirmou que seguirá acompanhando o caso. Paralelamente, a Prefeitura aproveitou a situação para alertar a população de que qualquer tipo de descarte irregular em rios e áreas ambientais é proibido, além de reforçar que o município mantém ações permanentes de fiscalização e preservação ambiental.





