Bloomberg — Os investimentos globais em projetos petrolíferos devem cair pelo terceiro ano consecutivo, à medida que o choque de oferta causado pelo conflito no Oriente Médio muda as prioridades para novas rotas comerciais e outras fontes de energia.
Apesar dos preços mais altos do petróleo, os gastos com projetos petrolíferos devem cair para menos de US$ 500 bilhões em 2026, de acordo com o relatório anual World Energy Investment da Agência Internacional de Energia, publicado nesta quinta-feira (28).
Os mercados de petróleo estão em turbulência desde que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo bruto transportado por via marítima no mundo. A interrupção causou picos de preços e escassez de oferta em várias partes do mundo, forçando empresas e países a repensar suas estratégias de investimento em energia.
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“Estamos no meio da maior crise de segurança energética que o mundo já enfrentou — e acredito que isso irá remodelar as estratégias de investimento globalmente”, disse o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, no comunicado. “Já vemos vendo esforços intensificados tanto por parte dos países produtores quanto dos consumidores para diversificar rotas comerciais e fontes de energia.”
Espera-se que os investimentos globais em energia aumentem ligeiramente e cheguem a US$ 3,4 trilhões em 2026, sendo direcionados principalmente para redes de energia, armazenamento, combustíveis de baixa emissão, energia nuclear, energias renováveis e eletrificação. Os principais importadores de combustíveis estão agora buscando recursos energéticos em seus próprios territórios, principalmente energias renováveis, energia nuclear e carvão.
A projeção é que os gastos com gás aumentem para US$ 330 bilhões, o nível mais alto em uma década, impulsionados por uma onda de novos projetos de exportação de gás natural liquefeito, principalmente nos EUA e no Catar, informou a agência sediada em Paris, em suas primeiras estimativas para o ano inteiro de 2026.
No Oriente Médio, a guerra reduziu a receita de exportação e desencadeou uma busca por novas rotas de exportação, já que a confiança na confiabilidade do Estreito de Ormuz foi “profundamente abalada”. Além disso, as dezenas de bilhões de dólares necessários para reparar as instalações “podem reduzir os fluxos de capital para o exterior, que têm sido uma fonte crescente de financiamento para projetos de infraestrutura e energia em outras regiões”.
Birol já havia alertado que o mundo está perdendo 14 milhões de barris de petróleo por dia devido à guerra. No início deste mês, ele disse que a AIE estava pronta para tomar novas medidas depois que os membros concordaram, em março, em injetar 400 milhões de barris das reservas de emergência para o mercado, na maior liberação já realizada.
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