PEC que acaba com a jornada 6×1 aprovada na Câmara, agora é com o Senado. E o texto nem bem chegou já tem senador querendo uma Proposta de Emenda à Constituição que permita horas ilimitadas de trabalho. Para que a pessoa seja remunerada com base nas horas trabalhadas. O argumento é a liberdade de escolha para o trabalhador. Justamente o que vai contra a PEC 6×1 aprovada nessa quarta-feira que fala em qualidade de vida, tempo pra família, saúde mental, produtividade. Puro desespero, diz o presidente da Comissão Especial da Câmara, deputado Alencar Santana, do PT. Isso porque, na Câmara, o PL, que chegou a defender uma transição de dez anos e uma jornada de 52 horas, horas antes da votação apresentou um destaque para reduzir ainda mais o tempo de trabalho com a escala 4×3.
Uma falta de responsabilidade que tentaram melar novamente ao final, nesse jogo de cena, e não sabe o que quer. Não sabe se são contra, não sabe se são a favor. São contra, mas têm medo de falar. Falam contra na tribuna, mas votam a favor. Acho que eles tiveram que se render à voz do povo, que o povo, mais de 70% aprova essa pauta e eles ficaram sem prumo ontem.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não definiu o cronograma da PEC. Mas, a primeira etapa é a escolha do relator na Comissão de Constituição e Justiça. Já tem requerimento na Casa pedindo a convocação de sessão temática. Para discutir os impactos econômicos e sociais da redução da jornada. E, enquanto empresários fazem pressão para que Alcolumbre não paute a PEC este ano, continuam os apelos do governo, da base aliada, de sindicatos e de trabalhadores para que o texto seja aprovado rapidamente.
Detalhe. Duas coisas podem ocorrer se a PEC for alterada no Senado. Ou ela volta para a Câmara para nova votação, o que atrasa ainda mais a entrada em vigor das novas regras, ou ela é fatiada e a parte de consenso é promulgada. O impasse está justamente em definir o que é esse consenso.
*Com produção de Leandro Calisto.





