Os produtores independentes de suínos do Reino Unido atravessam um novo momento de instabilidade e veem o futuro da atividade ameaçado. O alerta é da Associação Nacional de Produtores de Suínos (NPA), que cobra da cadeia de suprimentos um compromisso mais firme de longo prazo para evitar novas perdas no setor.
A incerteza ganhou força após a decisão de grandes processadores de carne suína de encerrar contratos com fornecedores. O impacto mais significativo atinge produtores ligados ao matadouro da rede Morrisons, operado pelo Myton Food Group, mas o movimento se estende a outras empresas do setor, que vêm ajustando seus volumes diante da retração do mercado.
Com contratos sendo reduzidos ou simplesmente encerrados, parte dos produtores já não sabe para onde direcionar sua produção quando os acordos atuais chegarem ao fim, em prazos que variam entre seis e doze meses. O cenário ocorre em meio a uma desaceleração iniciada no outono de 2025, marcada por excesso de oferta, demanda enfraquecida e queda nos preços da União Europeia, fatores que pressionaram o valor da carne suína no mercado britânico.
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A crise foi intensificada por gargalos nas plantas industriais, que provocaram acúmulo de animais nas propriedades, além da elevação dos custos de produção influenciada pela guerra no Oriente Médio. Diante desse contexto, já há relatos de redução no número de animais nas granjas e de produtores reconsiderando a permanência na atividade.
A diretora executiva da NPA, Lizzie Wilson, afirma que a situação é motivo de grande preocupação. “Estamos extremamente preocupados com a situação em que nossos produtores independentes de suínos se encontram mais uma vez. Muitos estão lutando por seu futuro”, disse.
Ela relembra que a crise enfrentada entre 2021 e 2022 já havia levado diversos produtores a abandonar o setor e destaca que, apesar de um período recente de maior estabilidade, o avanço do modelo integrado continuou, com processadores adquirindo operações independentes. Para a dirigente, o risco agora é de perda de escala produtiva e enfraquecimento da cadeia.
“Mas o nosso maior receio é que, se perdermos mais produtores independentes, comecemos a perder massa crítica em termos de fornecedores e da indústria que os rodeia. Os produtores independentes sempre foram e sempre serão cruciais para a nossa capacidade de produzir carne suína de boa qualidade, a partir de diversos sistemas e com os mais elevados padrões de produção”, afirmou.
Varejistas
A entidade também cobra maior engajamento de varejistas, processadores e do setor de alimentação fora do lar. “Apelamos aos varejistas, processadores e ao setor de serviços de alimentação para que reafirmem seu compromisso com a carne suína britânica e, em particular, com nossos produtores independentes que estão sob pressão. Isso significa garantir que a carne suína tenha um preço justo e adotar uma visão de longo prazo em relação aos acordos de fornecimento, incluindo o oferecimento de incentivos para que os produtores invistam”, declarou Lizzie.
Segundo ela, a saída de mais produtores pode aumentar a dependência do país em relação às importações. “Sabemos o quanto o público britânico valoriza nossos excelentes produtos de carne suína britânica. Perder mais produtores independentes só tornará o Reino Unido ainda mais dependente da importação de carne suína.”
No meio das incertezas, cresce no setor a percepção de que as mudanças contratuais também estejam relacionadas à entrada em vigor, em agosto, das novas regras de Obrigações de Negociação Justa para o segmento. O tema tem gerado especulação entre os produtores.
Recentemente, a NPA recebeu o árbitro da cadeia de suprimentos agrícolas, Richard Thompson, durante a Feira Britânica de Suínos e Aves. Ele manifestou interesse em ouvir relatos de produtores que enfrentem possíveis práticas desleais, inclusive de forma anônima.
A entidade incentiva que os casos sejam levados às autoridades antes do prazo regulatório e afirma que segue em diálogo com diferentes elos da cadeia. Ao mesmo tempo, pressiona o governo britânico para que se reúna com o setor e avalie medidas emergenciais capazes de dar fôlego aos produtores diante do atual cenário.
Fonte: Pig World





