O governo da Holanda trabalha na elaboração de um plano para tornar obrigatória a vacinação contra a influenza aviária em toda a produção avícola voltada à postura no país. A proposta é discutida em conjunto com o setor, em meio a preocupações com possíveis impactos nas relações comerciais.
Neste ano, 45 propriedades avícolas foram atingidas pela doença, resultando no abate de quase 2,3 milhões de aves para conter a disseminação do vírus. O secretário de Estado da Agricultura, Silvio Erkens, afirmou que a influenza aviária representa uma ameaça relevante para os animais, para a atividade produtiva e para a sociedade. Segundo ele, a vacinação é um passo necessário para reduzir a incidência da doença de forma estrutural, em linha com práticas já aceitas internacionalmente.
Estudos conduzidos até agora indicam que a imunização reduz de forma significativa o risco de surtos em larga escala. Ensaios de campo também mostram que eventuais infecções podem ser identificadas rapidamente por meio do sistema europeu de monitoramento obrigatório. Paralelamente, um projeto-piloto em andamento tem apresentado resultados considerados positivos.
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De acordo com o Ministério da Agricultura, produtos provenientes de aves vacinadas já foram comercializados no mercado interno sem registro de barreiras comerciais. Em comunicação ao Parlamento, Erkens destacou que parceiros comerciais têm reagido de forma favorável à transparência adotada pelos Países Baixos na condução e divulgação do programa.
Ainda assim, o impacto sobre o comércio internacional segue como um dos principais pontos de atenção. Por isso, a vacinação vem sendo introduzida de forma gradual, acompanhada de articulação internacional para ampliar a aceitação de produtos oriundos de aves imunizadas. O país lidera um grupo de trabalho com participação de Estados Unidos, Canadá, França, Reino Unido, Comissão Europeia e Organização Mundial de Saúde Animal.
Nos próximos meses, o governo deve concluir, junto ao setor, um plano de ação para viabilizar a obrigatoriedade da vacinação. Produtores condicionam a adesão à garantia de aceitação internacional dos produtos e à implementação de um sistema de vigilância viável e acessível. O comércio de produtos avícolas, que movimenta cerca de 700 milhões de euros, é apontado como estratégico e não pode ser comprometido.
Ações preventivas
Além das medidas voltadas diretamente às aves, o governo também prevê ações preventivas para trabalhadores do setor. Avicultores, veterinários e outros profissionais com maior risco de exposição poderão receber a vacina sazonal contra a gripe humana, como forma de reduzir a possibilidade de combinação entre vírus de origem animal e cepas humanas.
O plano inclui ainda a avaliação de medidas estruturais para reduzir a concentração de propriedades em áreas de maior risco, como regiões com alta densidade de aves e presença de água. Um estudo de impacto está em andamento para analisar os efeitos dessas ações sobre a saúde animal, a saúde pública e o próprio setor produtivo. Os resultados devem orientar decisões futuras e eventuais ajustes regulatórios.
Fonte: Poultry World





