Os setores de biocombustíveis e de biofertilizantes serão contemplados no novo leilão do EcoInvest, cujos detalhes foram divulgados nesta segunda-feira durante evento em São Paulo. O Tesouro vai destinar R$ 9 bilhões para seis teses no total, sendo uma delas voltada a biocombustíveis e outra aos fertilizantes verdes.
O propósito desta edição é fazer o dinheiro chegar a empresas em diferentes estágios de maturidade, além de aproximar o setor privado de universidades. O programa vai abranger desde iniciativas mais ligadas ao venture capital (via fundos de inovação) como as vinculadas a empresas maiores, mais maduras, via crédito corporativo.
Cada empresa que receber os investimentos terá de investir 10% dos recursos captados em “encomendas” de projetos para universidades e centros de pesquisa, que podem estar tanto no Brasil como no exterior.
Ainda no ambiente acadêmico, o leilão também prevê uma linha de fundo perdido para financiar projetos de pesquisa e empreendedorismo de base tecnológica dentro das universidades, que vai compreender 0,5% do montante a ser alavancado pelos bancos.
“Isso pode mudar o ponteiro do Brasil sob o ponto de vista de inovação, encontrar soluções para dores estruturais e para a baixa capacidade de transformar ciência em inovação. Se nós conseguirmos fazer essa integração desde o estágio inicial, realmente acreditamos que vai fazer a diferença no País”, afirmou Dario Durigan, ministro da Fazenda.
A expectativa da Fazenda é que os recursos do Tesouro, somados à alavancagem dos bancos, movimentem entre R$ 40 bilhões e R$ 55 bilhões, explicou Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda.
Nas últimas quatro edições do EcoInvest, o programa já conseguiu mobilizar uma carteira de R$ 140 bilhões — caso as expectativas se confirmem, portanto, o programa chegaria, com a quinta edição, perto de R$ 200 bilhões.
A mecânica do EcoInvest
Os bancos vencedores vão se candidatar para as teses que compõem o EcoInvest, tendo um limite máximo de três teses por instituição financeira. Quem ganhar vai atuar em todas as linhas de financiamento (fundos, crédito privado e fundo perdido) para a tese que vencer.
A linha de crédito corporativo, focada em empresas mais maduras, vai receber aportes de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão do Tesouro, considerando a exigência de ao menos o dobro de recursos privados em relação ao capital público.
Já os fundos de inovação vão receber R$ 1,5 bilhão do Tesouro, com uma alavancagem mínima de uma vez e máxima de duas vezes. O teto da alavancagem foi criado para não diluir demais o capital catalítico, explicou Ceron.
Esse dinheiro será tomado a um custo de 2,5% ao ano e vai entrar numa cota de renda fixa dentro desse fundo de inovação (uma estrutura similar à de uma cota sênior) aplicado ao CDI.
A diferença entre o custo e o rendimento vai proporcionar aos investidores, no fim das contas, um rendimento de IPCA+1%, minimizando o risco caso a carteira investida pelo banco tenha problemas. Nessa carteira, é possível mitigar o risco de 30% a 50% da carteira, segundo Ceron.
“É um veículo que promete investir em inovação sem risco, porque o Estado está trazendo o apoio para garantir uma rentabilidade mínima aos investidores”, afirmou Mário Gouvêa, secretário da Fazenda, no evento.
Além dessa classe de renda fixa, o fundo terá uma outra classe, destinada ao investimento em companhias alinhadas com aquele setor e com o nível tecnológico desejado, via dívida conversível em equity.
Se a carteira tiver sucesso, será pedido que um percentual (não revelado na ocasião) desse ganho extra seja devolvido ao programa. “Isso faz com que o programa entre com uma característica de perpetuidade. A gente tira o risco, permite que o privado entre, cobre ali uma parte do retorno prometido para o investidor. Vamos limitar o downside, mas abrir o upside”, disse Ceron.
Os fundos poderão contar com um mínimo de 15% de capital estrangeiro, chegando ao limite de 45%.
Além das teses ligadas ao agro, essa edição do EcoInvest também bai abranger pontos como automação e inteligência artificial aplicada à indústria, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e veículos elétricos, química verde, biomateriais e circularidade de resíduos minerais e industriais.





