O aumento nos custos de fertilizantes e as incertezas causadas pelo El Niño devem aumentar o plantio de sorgo na safrinha que será plantada em 2027. A percepção é da 3tentos, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do País.
“Sorgo é mais rústico que o milho, precisa de menos chuvas e se adapta melhor ao final da janela [de plantio]. Estamos vendo um movimento estrutural de aumento na cultura do sorgo”, disse João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos, ao The AgriBiz.
Segundo Dumoncel, o produtor tem sido mais cauteloso em tomar posição de safrinha, especialmente no Centro-Oeste. “Principalmente quem planta parcial, o produtor não está travando um volume muito agressivo, de comprar insumos para toda a área”, disse Dumoncel.
Diante da confirmação de um El Niño mais forte, a 3tentos espera que o ritmo de crescimento na área de sorgo, que já vinha acontecendo entre 15% a 20% por ano, se intensifique. “Para nós, o aumento é maior do que isso. O produtor de fato vai ficar mais inclinado a fazer parte da área de safrinha”, disse Dumoncel.
Além disso, a demanda por sorgo para produção de etanol vem crescendo na região. “O sorgo é um componente de ração, mas o grande vetor de liquidez é o etanol de milho e sorgo”, completou Dumoncel.
Ainda sob uma ótica econômica, o produtor usa o mesmo maquinário do milho para o sorgo — gerando eficiência — além de ter de comprar menos insumos para plantar sorgo, tornando a cultura atrativa também por ser mais barata.
O trimestre da 3tentos
No primeiro trimestre deste ano, a companhia voltou a entregar um crescimento de dois dígitos altos nas principais linhas do balanço. A receita líquida cresceu 20%, impulsionando ganhos nos demais indicadores.
O Ebitda ajustado somou R$ 394 milhões, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. O lucro líquido mais que dobrou, para R$ 230 milhões.
Sem contabilizar o hedge que transitou no trimestre, ambos os indicadores teriam queda na comparação com o mesmo período do ano passado, com o lucro líquido ficando 55% menor na comparação anual.
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Na entrevista, Dumoncel demonstrou otimismo em relação aos recebimentos referentes às vendas de insumos na safra passada, com a expectativa de pagamentos acima do verificado no ano passado. Ele atribui a melhora do cenário aos bons volumes colhidos na safra de verão, principalmente no Centro-Oeste, além de uma contribuição menor do Rio Grande do Sul.





