A Globo vai centralizar sua estratégia de distribuição de conteúdo da Copa do Mundo no Globoplay (Android, iOS), ou seja, as exibições da TV Globo, SporTV e GE TV terão destaque no aplicativo de streaming. E, para isso, a companhia promete a entrega de uma baixa latência nas transmissões do jogo pelo app em 4K e com 60 quadros por segundo (FPS ou frames per second, no original em inglês).
Em conversa com Mobile Time durante evento da empresa na Copa do Mundo de 2026, o diretor de tecnologia e produção de conteúdo da Globo, Marcelo Bossoni, revelou que a latência pode reduzir para até três segundos o atraso (delay, no original em inglês) da transmissão via aplicativo em comparação com o sinal da TV aberta em uma grande capital.
Essa redução drástica foi feita por meio de uma rede robusta de servidores CDNs e conectividade que a Globo investiu nos últimos anos. Contudo, o executivo reforçou que a redução do delay pode variar do tipo de dispositivo e conectividade de cada usuário.
Afirmou ainda que esta é a primeira Copa que a Globo entregará 4K e 60 FPS nas TVs e operadoras para todos os jogos que devem transmitir, algo que pode chegar a um total de 57 de jogos – se o Brasil chegar à final. Inclusive, o consumidor terá a possibilidade de acessar recursos interativos no app, como mosaicos com diferentes câmeras e áudios.
Estrutura da Globo

Talentos da Globo em coletiva com a imprensa: Fabio Porchat, Karine Alves, Denilson e André Rizek (crédito: Manoella Mello/Globo)
Com mais de 1 mil horas ao vivo de transmissão, 500 profissionais envolvidos e 120 dedicados na América do Norte para os 50 dias de cobertura, Bossoni detalhou como será a parte técnica que suportará o desenvolvimento de conteúdo. Como as imagens dos jogos vêm da FIFA para a emissora, o foco da infraestrutura da Globo será para o jornalismo e entretenimento.
Os repórteres e as equipes de campo que atuarão no Canadá, Estados Unidos e México serão apoiados por 5G e Wi-Fi com operadoras locais, mas está descartado o uso de uma rede privativa temporária para a América do Norte. E para a transmissão do Jornal Nacional e outros programas em um estúdio na Times Square, em Nova Iorque, a Globo usará conectividade cabeada.
Outros detalhes da transmissão:
- Estúdio imersivo com painéis de LED de 200 metros quadrados em parceria com a Sony;
- Cortes dos jogos serão retransmitidos no novo app de vídeos verticais da Globo, o Globopop (Android, iOS);
- App Cartola FC (Android, iOS) terá uma edição do fantasy game dedicado ao torneio de futebol;
- Apple e OpenAI estão entre as 25 marcas patrocinadoras da cobertura na Globo.
IA e TV 3.0
Na conversa com esta publicação, o diretor de tecnologia da Globo explicou ainda como a Globo tratará a utilização de duas tecnologias de fronteira: a inteligência artificial generativa e a DTV+ (também conhecida como TV 3.0).
Sobre a IA, Bossoni enfatizou que a Globo utiliza uma série delas (inclusive do Google, que é sua parceira de nuvem) e que esta tecnologia fará parte da transmissão na Copa como um copiloto das equipes, em funções como transcrições, geração de imagens e vídeos – algo que vem sendo usado em programa como ‘Fantástico’ e ‘GE SP’. Mas todo esse processo conta com curadoria e aprovação humana.
Em relação à DTV+, a companhia confirmou que a experiência começará na Copa do Mundo para moradores da Grande São Paulo, da cidade do Rio de Janeiro, além de Brasília em caráter experimental. Com sinal de Internet e TV transmitidos simultaneamente, a emissora espera levar uma experiência na Copa, o que inclui conteúdos mais imersivos (como dados da partida e dos jogadores) e até experiência de compra.
O único entrave é que a DTV+ funciona apenas para TVs novas já adaptadas de fábrica ao novo padrão. Sem isso, os telespectadores que desejam desfrutar da nova tecnologia deverão adquirir uma caixinha, do mesmo modo que ocorreu na transição da TV analógica para a digital (TV 2.0). Bossoni explicou que as primeiras TVs com DTV+ já começaram a ser vendidas para a Copa, assim como as primeiras caixinhas. Importante dizer que usuários cadastrados no CadÚnico têm direito a um kit de antena digital via Brasil Antenado, que é coordenado pela Entidade Administradora de Faixa (EAF).
Com DTV+, IA generativa e a produção massiva de conteúdo em vídeo para apps, site e TVs da Globo, esta publicação questionou o executivo sobre a capacidade computacional e de dados na Copa que deve crescer. O diretor detalhou que a estrutura montada pela companhia nos últimos anos é escalável e que a capacidade pode ser ampliada em questão de segundos ou minutos. Disse ainda que o sistema foi preparado para resistir acessos simultâneos maiores que a última edição do Big Brother Brasil, o principal sucesso de audiência da Globo em 2026.
Globoplay no Mobile Time
Na última terça-feira, 13, Mobile Time e a Opinion Box apresentaram uma prévia da pesquisa Superpanorama de Apps 2026 durante o MobiXD. Feita com 4 mil usuários de smartphones, o estudo revelou que 67% dos brasileiros com handsets assinam algum serviço de streaming de filmes e séries, sendo que desse total:
- 73% assinam Netflix;
- 48% o Prime Vídeo;
- 28% o Globoplay.
O COO e cofundador da Opinion Box, Felipe Schepers, afirmou que a pesquisa foi realizada no período de março e com isso, o app da Globo ganhou destaque e ficou à frente de outros apps de amplitude nacional (como HBO e Disney+) pelo sucesso do Big Brother Brasil entre os consumidores.
A pesquisa completa será divulgada por esta publicação na primeira quinzena de junho.
Imagem principal dos talentos da Globo em coletiva com a imprensa: Fabio Porchat, Mariana Spinelli e Eric Faria (crédito: Manoella Mello/Globo)





