A ascensão da inteligência artificial está prestes a criar um novo mercado: o de contratos futuros de capacidade de computação.
O instrumento financeiro foi anunciado hoje pela CME, a bolsa que é líder mundial em derivativos, em parceria com a Silicon Data, uma firma especializada em informações sobre os preços de semicondutores e chips.
Os contratos de compute futures devem estrear ainda este ano, tão logo saia a aprovação dos reguladores. Com eles, as empresas poderão fazer hedge de seus investimentos em chips e data centers. O derivativo será também um instrumento para especuladores apostarem nas altas e baixas da expansão vertiginosa da AI.
Os futuros serão baseados nos preços de GPUs (graphics processing units), tendo como referência os índices produzidos pela Silicon Data.
“Os mercados de GPUs carecem de preços de referência padronizados,” disse Carmen Li, CEO da Silicon Data. “O lançamento de contratos futuros é um passo importante para fornecer aos desenvolvedores de AI, provedores de nuvem e investidores ferramentas mais confiáveis para avaliação, proteção e planejamento de longo prazo.”
Na semana passada, o CEO da BlackRock, Larry Fink, disse que provavelmente surgirá em breve uma nova classe de ativo financeiro – a capacidade computacional – em razão da oferta restrita e demanda sem sinal de arrefecimento.
“A computação é o petróleo do século XXI,” disse Terry Duffy, CEO da CME. “Cada modelo de AI treinado, cada transação liquidada e cada byte de dados processado dependem de computação, que está se tornando uma classe de ativos.”
O índice da Silicon Data para o aluguel de uma GPU H100, da Nvidia, mostra um aumento de preços de mais de 30% desde a baixa de novembro – subindo de US$ 2 por hora para US$ 2,64 agora.
“Transformar poder computacional em um ativo negociável atrai fluxos especulativos para o que, em última análise, é um recurso limitado,” disse à Bloomberg o estrategista Brendan Fagan, da Markets Live. “A questão é se isso marca a maturação da AI como classe de ativos ou se simplesmente sinaliza uma bolha se formando em torno do principal pilar da alta das ações.”





