O setor suíno da Moldávia enfrenta um cenário de incerteza diante dos atrasos no pagamento de indenizações relacionadas aos surtos de Peste Suína Africana (PSA), o que tem afetado a confiança dos produtores e interrompido planos de investimento. De acordo com uma organização de agricultores, os criadores ainda aguardam os subsídios prometidos após os episódios registrados em 2025, quando cerca de 118 mil suínos foram abatidos em duas das maiores granjas do país. As perdas totais são estimadas em mais de 440 milhões de lei moldavos, o equivalente a 25 milhões de dólares.
Os pagamentos não foram realizados até o momento porque o processo de compensação está envolvido em disputas judiciais e institucionais. O Ministério da Agricultura da Moldávia informou que os valores finais das indenizações só poderão ser definidos após a conclusão das investigações e dos trâmites legais. Já a Agência Nacional de Segurança Alimentar (ANSA) contestou na Justiça parte dos certificados de avaliação de danos emitidos inicialmente, o que contribuiu para prolongar ainda mais o processo.
Segundo Andrian Burduja, presidente da Associação de Produtores de Carne Suína da Moldávia, não houve avanços concretos no pagamento das compensações, apesar das promessas feitas pelo governo. Ele afirma que a falta de previsibilidade compromete o futuro do setor. “A indústria desaparecerá se a compensação não for paga”, disse, ao destacar que não há um prazo claro para o ressarcimento das perdas.
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O governo moldavo trabalha em propostas para acelerar o pagamento aos produtores afetados pela PSA, e um projeto de lei já foi encaminhado ao parlamento, mas ainda não foi aprovado. Enquanto isso, representantes do setor afirmam que a insegurança financeira se tornou um dos principais entraves para novos investimentos, mesmo com algumas granjas tentando retomar as atividades após os surtos.
Burduja ressalta que o risco de novos episódios da doença, sem garantia de compensação, afasta produtores. “O problema é que, se ocorrer outro surto e a compensação não for paga novamente, ninguém mais vai investir”, afirmou. Ele acrescenta que os produtores não têm controle sobre fatores externos e, sem respaldo do Estado, há risco de abandono da atividade.
Além das dificuldades econômicas, a PSA segue como uma ameaça constante. De acordo com o representante do setor, a doença apresenta ciclos de maior e menor incidência, mantendo a preocupação dos produtores. Durante a temporada de caça, houve aumento significativo no número de javalis infectados encontrados. Após o fim do período, não foram registrados novos surtos por algum tempo, embora o risco de circulação do vírus continue presente.
Fonte: Pig progress





