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União Europeia ameaça proibir frango e carne bovina do Brasil

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A entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul sequer completou 15 dias e já sofreu o primeiro abalo, colocando em risco mais de US$ 1,8 bilhão em exportações de carne bovina e de frango do Brasil.

Em uma votação realizada nesta terça-feira, os membros da Comissão Europeia divulgaram a lista dos países que cumprem as regras sanitárias do bloco para uso de antibióticos em produtos de origem animal. O Brasil ficou de fora.

Pela legislação europeia, o uso de antibióticos como promotores de crescimento e para fins de produtividade é vetado. O Brasil não conseguiu demonstrar que possui um sistema capaz de garantir à União Europeia que cumpre as regras.

Se não conseguir reverter a medida de Bruxelas, os exportadores brasileiros estarão proibidos de vender carnes e outros produtos de origem animal para a União Europeia a partir de 3 de setembro. A lista de vetos também inclui itens como ovos, pescados, mel e tripas.

“O Brasil não apresentou o programa de antimicrobianos que deveria ter sido apresentado três anos atrás”, criticou uma fonte ao The AgriBIz.

No ano passado, as exportações brasileiras de carnes à UE totalizaram 368 mil toneladas, o equivalente a US$ 1,84 bilhão, segundo dados do Ministério da Agricultura. A carne bovina correspondeu pela maior parte da receita (US$ 1 bilhão), enquanto as exportações de frango somaram US$ 763 milhões.

A UE foi o oitavo principal destino da carne de frango em 2025, com a importação de 233 mil toneladas, o que representou 4,5% do volume total, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

No caso da carne bovina, os europeus são o terceiro maior mercado com 3,6%, atrás de China e Estados Unidos, mas têm uma representatividade maior na venda de cortes mais nobres e de maior valor agregado.

Além do impacto econômico relevante para os exportadores brasileiros, a decisão da Comissão Europeia pode reacender o debate sobre a imposição da barreiras sanitárias para contornar o acordo entre UE e Mercosul.

Antes da aprovação do acordo comercial, produtores rurais na Europa fizeram diversos protestos contra o que julgavam ser um risco de inundação do mercado europeu com carnes brasileiras, que possuem competitividade imbatível na comparação com a agricultura dependente de subsídios do Velho Continente.

Procuradas, ABPA e Abiec não responderam até a publicação.



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