O setor de suinocultura em Minas Gerais vive um cenário de contradição técnica e econômica. Enquanto o preço do suíno vivo derreteu 36,1% nos primeiros quatro meses de 2026, caindo de R$ 8,30/kg em janeiro para R$ 5,30/kg em abril, o Censo da Suinocultura Mineira 2025 revela a causa estrutural: um salto de produtividade sem precedentes que inundou o mercado.
A análise feita a partir de dados oficiais do Governo de Minas, minerados por meio da parceria entre a ASEMG e a UFMG, aponta informações relevantes para o setor. O plantel de matrizes teve leve retração, passando de 339.763 em 2024 para 338.695 em 2025, o que representa queda de 0,31%. Apesar disso, a produção total atingiu 4.150.088 toneladas, registrando crescimento real de 9,65% no volume de carne disponível.
Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (11), durante uma transmissão ao vivo no canal da ASEMG no YouTube. Participaram da apresentação o consultor de mercado da entidade, Alvimar Jalles, e os professores da Universidade Federal de Minas Gerais, Rafael Romero Nicolino e Camila Oliveira, que detalharam os resultados e os impactos para a cadeia produtiva.
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O avanço da produtividade ajuda a explicar a pressão sobre os preços. Ganhos em genética, sanidade, nutrição e uso de tecnologias permitiram elevar a produção mesmo com um número menor de matrizes, criando uma superoferta que não foi absorvida pelo mercado interno no mesmo ritmo.
Com o custo de produção estimado em cerca de R$ 6,20 por quilo e o preço de venda em R$ 5,30/kg, os produtores enfrentam um cenário de margens negativas, com perdas operacionais que variam entre R$ 0,50 e R$ 0,80 por quilo. O cenário acende um alerta para a sustentabilidade financeira da cadeia, que responde por aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos no estado.
Diante desse contexto, o Censo da Suinocultura Mineira 2025 surge como ferramenta estratégica. Pela segunda edição consecutiva, o levantamento oferece ao produtor um panorama detalhado da oferta e da concorrência por região, auxiliando na definição de metas e estratégias mais ajustadas à realidade do mercado.
Segundo o presidente da ASEMG, Donizetti Ferreira Couto, o setor enfrenta as consequências de sua própria evolução. Ele afirma que o salto tecnológico não foi acompanhado por equilíbrio de preços e destaca que o desafio agora não é apenas produzir mais, mas aprimorar a gestão da oferta e dos custos para atravessar o período de pressão econômica.
Fonte: ASEMG





