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Pilgrim’s e boi caro nos EUA pressionam margens da JBS no 1º tri

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A frustração temporária com a Pilgrim’s Pride e a severa escassez de gado nos Estados Unidos pressionaram as margens da JBS no primeiro trimestre, derrubando os resultados da gigante brasileira.

No balanço que acaba de divulgar, a companhia dos irmãos Batista reportou um lucro líquido de US$ 220 milhões, uma queda de 55% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado e aquém do consenso de mercado.

A piora se expressa na rentabilidade. Entre janeiro e março, o Ebitda consolidado da JBS caiu quase 26%, para US$ 1,1 bilhão. Com isso, a margem Ebitda ajustada recuou 2,6 pontos, saindo de 7,8% para 5,2%.

“Todo primeiro trimestre é sazonalmente difícil, mas esse ano foi mais difícil por dois motivos. A Pilgrim’s teve três paradas programadas e o boi dos Estados Unidos foi ainda mais desafiador”, disse Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS, em entrevista ao The AgriBiz.

Juntas, a Pilgrim’s e a divisão de carne bovina nos EUA respondem por mais de 50% da receita consolidada da JBS, que totalizou US$ 21 bilhões no primeiro trimestre. Quando os resultados desses dois negócios pioram simultaneamente, é inevitável esperar um trimestre mais difícil.

No caso da subsidiária americana de carne de frango, o alento é que a piora foi temporária, explicada por paradas em três plantas que receberam investimentos de modernização para permitir a produção de um mix com mais cortes de frango porcionados, trazendo mais estabilidade para as margens.

Por outro lado, o negócio de carne bovina dos Estados Unidos ainda deve levar bem mais tempo para se recuperar. Com o rebanho americano nos menores níveis em pelo menos 50 anos, a expectativa é que o ciclo só melhore mesmo em 2028.

Seara e Friboi contribuem

Nas demais divisões da companhia, os resultados foram bons, segundo Cavalcanti.

A margem Ebitda da Seara, por exemplo, ficou acima de 15%, um nível considerado saudável para o negócio de carne de frango, suínos e alimentos preparados.

De acordo com Cavalcanti, a demanda por frango continua aquecida no exterior e os alojamentos de aves cresceram menos do que se imaginava inicialmente, o que mantém a tendência positiva para a Seara.

A demanda externa também contribuiu com os resultados da Friboi, apesar do gado mais caro no Brasil. No trimestre, a margem Ebtida da JBS Brasil — divisão que abrange a operação de carne bovina e negócios correlatos — aumentou 0,3 ponto, saindo de 4,1% para 4,4%. No mesmo intervalo, a receita cresceu 19,5%, chegando a US$ 3,8 bilhões.

A Austrália também registrou um bom desempenho operacional. Não fosse a valorização do dólar australiano, que afetou a rentabilidade das exportações, a companhia teria repetido a margem de quase 10% do primeiro trimestre do ano passado.

Por causa do câmbio, no entanto, a margem fechou em 6,2%. “Como 70% da Austrália é exportação, teve compressão de margens”, explicou o executivo, destacando a solidez das operações.

Estrutura de capital saudável

Na área financeira, a JBS continua em posição confortável. Com um índice de alavancagem de 2,77 vezes, dentro dos limites estabelecidos pela política da companhia para manter o grau de investimento, a empresa praticamente não tem dívidas vencendo até 2031.

Não à toa, a companhia usou a recente emissão de US$ 2,5 bilhões em bonds para pagar cerca de US$ 1,5 bilhão em dívidas que venceriam apenas em 2034 e 2033. Como as dívidas anteriores a esses prazos possuem um custo inferior aos títulos do Tesouro americano, não valia a pena resgatá-las.

Com essa estrutura de capital, a JBS pode atravessar um mundo mais volátil sem grandes sobressaltos.

***

A JBS aproveitou a divulgação trimestral desta terça-feira para anunciar uma mudança na forma como reporta os resultados na SEC.

A partir do segundo trimestre, a companhia dos irmãos Batista vai seguir as regras das empresas americanas, o que significa prazos mais curtos para a publicação de balanços.

Com isso, cumpre mais um critério de elegibilidade em índices de ações. A grande ambição de longo prazo é entrar no S&P500, índice que possui uma capitalização de  US$ 17 trilhões.

No curto prazo, a companhia trabalha para ingressar no Russel 1000, algo que pode trazer mais fluxo para o papel graças aos fundos passivos que acompanham os índices. O próximo rebalanceamento do Russel 1000 será divulgado em 22 de maio. A JBS já cumpre os requisitos para ingressar, o que já gerou relatórios de analistas esperando um efeito positivo nas ações.

***

Listada na bolsa de Nova York, a JBS está avaliada em US$ 16,3 bilhões. Desde a listagem, as ações subiram 10%.



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