As transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos somaram R$ 1,1 trilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Abecs, associação que representa o setor de meios eletrônicos de pagamento.
Na análise por modalidade, o cartão de crédito liderou em volume e crescimento, movimentando R$ 810,2 bilhões, alta de 12,8%. O cartão de débito somou R$ 236 bilhões, queda de 2,4%, enquanto o cartão pré-pago registrou R$ 94,5 bilhões, avanço de 1%.
Foram realizadas 11,7 bilhões de transações, crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025. Em média, os brasileiros realizaram 132 milhões de pagamentos por dia. O cartão de crédito também liderou em número de operações, com 5,4 bilhões de transações (7,6%), seguido pelo débito, com 4 bilhões (-1,3%), e pelo pré-pago, com 2,3 bilhões (0,4%).
Pagamentos por aproximação
Os pagamentos por aproximação (tecnologia NFC) seguem em forte crescimento no País. No primeiro trimestre, a modalidade movimentou R$ 504,8 bilhões, alta de 19,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A tecnologia já representa 74,8% das transações presenciais com cartões no Brasil. Uma pesquisa da Abecs, em parceria com o Datafolha, indica que 72% dos brasileiros utilizam pagamentos por aproximação, sendo que 64% fazem uso frequente (sempre ou quase sempre).
Compras pela internet e pagamentos recorrentes
As compras realizadas pela internet movimentaram R$ 310,5 bilhões no primeiro trimestre, com crescimento de 18,8%. Na comparação com o período pré-pandemia, o uso do débito em compras não presenciais cresceu 359,8%, enquanto o crédito avançou 247%.
Dentro desse ecossistema digital, os pagamentos recorrentes — modelo de cobrança automática — somaram R$ 41,7 bilhões, alta de 36% em relação ao ano anterior. A modalidade é impulsionada principalmente pelo cartão de crédito, que responde por R$ 39,9 bilhões do total. O débito movimentou cerca de R$ 1 bilhão, enquanto o pré-pago somou aproximadamente R$ 0,9 bilhão.
Tap on Phone
A modalidade Tap on Phone, que permite que smartphones e tablets aceitem pagamentos por aproximação sem a necessidade de maquininhas tradicionais, movimentou R$ 27,1 bilhões no trimestre, com crescimento de 114,6%.
Em dois anos, o avanço acumulado da tecnologia foi de 1.188,8%. Por modalidade, o crédito respondeu por R$ 25,4 bilhões (115,6%), seguido pelo débito, com R$ 1,2 bilhão (105,4%), e pelo pré-pago, com R$ 0,5 bilhão (92,6%). A solução tem contribuído para a digitalização de pequenos negócios.
Parcelado sem juros (PSJ)
Sobre a estrutura das compras no cartão de crédito, o parcelado sem juros (PSJ) representou 43,2% do valor total transacionado na modalidade (R$ 390,5 bilhões).
O consumo à vista no cartão de crédito concentrou a maior fatia, com 56,5% (R$ 511,4 bilhões). Entre as compras parceladas, 62,4% são realizadas em até seis vezes.
Gastos no exterior
O uso de cartões por brasileiros no exterior totalizou US$ 5,3 bilhões (R$ 27,9 bilhões) no primeiro trimestre, alta de 37%. Por modalidade, o cartão de crédito respondeu por R$ 21,7 bilhões (22,6%), seguido pelo débito, com R$ 3 bilhões (98,6%), e pelo pré-pago, com R$ 3,2 bilhões (-8,7%).
A Europa foi o destino com maior volume de gastos, com R$ 11,7 bilhões (19,9%), seguida pelos Estados Unidos, com R$ 9,7 bilhões (10,9%).
Uso do cartão por setores
Os dados apontam que a penetração dos meios eletrônicos de pagamento continua avançando em diversas categorias.
No varejo, o uso do cartão teve crescimento mais acentuado nos segmentos de eletrônicos e eletrodomésticos (21,4%), livrarias e afins (16,3%), vestuário e acessórios (13,2%), autopeças (12,2%) e alimentação (12%). No setor de serviços, a expansão foi liderada por pagamentos a profissionais liberais (25,1%), educação básica (21,9%), serviços médicos (19,3%), companhias aéreas e afins (19,2%) e seguros (13,7%).
Análise regional
O Sudeste liderou o volume transacionado com cartões, com R$ 574 bilhões (4,3%). Em seguida aparecem o Sul, com R$ 158,9 bilhões (8,2%), o Nordeste, com R$ 135,8 bilhões (1,7%), o Centro-Oeste, com R$ 82,1 bilhões (1,5%), e o Norte, com R$ 41 bilhões (1,1%).
Imagem: Envato





