Tenista reclamou das atitudes dos fãs durante duelo contra o sérvio Hamad Medjedovic, interrompido em alguns momentos após queixas à arbitragem.
João Fonseca contestou o comportamento da torcida brasileira durante a derrota para o sérvio Hamad Medjedovic na estreia pelo Roma Open no sábado. Em alguns momentos, o duelo chegou a ser interrompido pela arbitragem após o tenista europeu reclamar sobre as reações dos torcedores do brasileiro.
“A torcida foi um ponto dentro da partida, muitas paradas, não posso dizer que isso foi a culpa da derrota, mas isso importa. A torcida brasileira pensa que é um jogo de futebol, mas não é. Adoro a torcida, mas tem que ter um pouco de limite e respeito. Não atrapalha só o adversário, mas me atrapalha também. É só um questionamento, continuo amando jogar com a torcida e acho que é mais uma lição e oportunidade de evoluir. Seguimos, depois de uma derrota difícil, mas com a cabeça erguida”, disse.
“Eu não me importo deles ficarem falando quando vou sacar, me concentro bem, mas quando o adversário fica xingando, não sei exatamente o que ele estava falando, se estava falando alto com alguém, enquanto eu estou sacando, isso me atrapalhou, e eu acho que deveria ter o primeiro saque”, desabafou Fonseca em entrevista à ESPN.
No jogo contra Medjedovic, o brasileiro chegou a discutir com o árbitro de cadeira e recebeu uma advertência depois de jogar uma bola para fora da quadra demonstrando irritação. Para ele, o incidente refletiu a tensão da partida.
“Acho que o árbitro perdeu o controle da partida. Não tenho nada contra ele, acho uma ótima pessoa, fala português, mas acabou perdendo o controle… Pelo o que eu conheço do tênis, por isso fui falar com o árbitro, porque, enfim, ele perdeu o controle da partida e eu também perdi o controle. Falei que eu nunca reclamei, mas acho que ele estava tomando uma decisão errada, e foi uma análise minha, mas enfim, são coisas que ficam quentes durante a partida, mas depois falei com ele depois, foi tranquilo. São coisas da partida, o terceiro set, estava 5 a 5, então a cabeça fica um pouco mais quente”, declarou.
Em quadra, o brasileiro foi derrotado por Medjedovic, atual número 67 do mundo, por 2 sets a 1, com parciais de 3/6, 6/3 e 7/6 (7/1). Na análise de Fonseca, as chances desperdiçadas no segundo set foram determinantes para o resultado negativo.
“Partida difícil, jogo de tênis é assim, com jogadores imprevisíveis… É um ‘se’ que não existe, mas se eu pegasse um dos break points que tive no segundo set, poderia ter terminado a partida nesses dois sets, mas enfim, ele (Medjedovic) conseguiu jogar bem, colocou pressão e fez o set, e no terceiro eu fiquei me remoendo, mas são coisas da partida. Foi bem jogada e os dois jogaram um bom tênis, e isso acontece. Obviamente, me perguntam se eu estou frustrado, e é pelas oportunidades, que cada vez aparecem menos, mas já identifiquei esse ponto e estou me esforçando para melhorar”, disse.
Ainda sobre o desempenho no Roma Open, Fonseca acredita que a chave para melhores resultados no circuito mundial está em tentar diminuir a margem de erros. “Obviamente tento ser cada vez mais sólido, mas o meu jogo é ser agressivo, dar o winner, ir para a rede, comandar os pontos. Ontem eu estava sentindo menos a bola, sem jogar tão bem, fui fazendo o meu e controlando a partida até certo ponto, mas acho que continuo com a mesma análise. Todos os jogadores tentam errar cada vez menos.”
Na sequência da temporada, o brasileiro, atual 29 do mundo, tem no calendário o ATP 500 de Hamburgo, na Alemanha, que será realizado entre 16 e 23 de maio. A competição será a última antes de Roland Garros, mas não contará pontos para a linha de favoritos do Grand Slam de Paris. Questionado sobre a possibilidade de não ser cabeça de chave no saibro francês – os 32 mais bem ranqueados evitam a primeira rodada -, ele disse que não se importa com o ranking, mas sim com sua condição física e mental.
“Sobre o próximo torneio, estamos em Hamburgo, vendo as possibilidades, pensando com a minha equipe, ainda não sentei com eles, mas estamos pensando. Sobre o chaveamento de Roland Garros, eu nunca me importei muito no ranking, se vou pegar o cabeça 1 ou 2, sempre me importei como estou fisicamente e mentalmente. Assim fico mais relaxado e consigo jogar o meu melhor tênis, mas enfim, isso não afetaria minha decisão e sim como vou estar”, finalizou.





