Neste domingo, dia 10 de maio, celebra-se o Dia das Mães. Para a imensa maioria, a data é sinônimo de casa cheia, abraços e celebração em família. No entanto, para algumas mulheres, o segundo domingo de maio é marcado por uma ausência física irreparável.
É o caso de Mary Rocha Paes e Íris Silva, mães que viram suas trajetórias atravessadas pela tragédia, mas que encontram na fé e no amor pela família a força necessária para continuar suas jornadas.
Mary Rocha Paes perdeu o filho, Guilherme Henrique Rocha Paes, de 32 anos, vítima de um gravíssimo acidente de trânsito. O veículo em que Guilherme estava colidiu na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), próximo ao município de Ocauçu.
Após lutar pela vida durante 25 dias internado, ele não resistiu. Indignada, Mary relata o descaso com as condições da estrada, que ela apelida tristemente de “Rodovia da Morte”.
Para ela, o distanciamento do luto não diminui o sofrimento, especialmente em datas comemorativas. A aproximação e chegada do domingo aumentou ainda mais a dor pela ausência.
“Não está fácil para mim, não. É uma dor tremenda. Vai chegando o Dia das Mães e vem vindo uma dor maior. Sinto falta daquele abraço, aquele beijo, de vir almoçar em casa”, contou Mary.
A mãe de Guilherme tenta, diariamente, encontrar palavras para um sentimento que desafia o próprio vocabulário humano. “Existe a perda de um pai, de uma mãe, é uma dor triste. Perder um marido também é uma dor grande para a viúva, mas a dor da perda do filho, não tem nome. É só Deus mesmo para segurar a gente”, revelou Mary.

Outra história de profunda dor, mas também de uma resiliência comovente, é a de Íris Silva. Sua filha, a técnica de enfermagem Vanessa Anízia da Silva Carvalho, de 43 anos, teve a vida interrompida no Natal em um cruel episódio de feminicídio. O crime foi cometido pelo companheiro de Vanessa.
O luto de Íris foi agravado pela impossibilidade de uma despedida digna. “A gente pediu socorro para a polícia. Eu queria pelo menos dar a última despedida, olhar para o rostinho dela, mas não tive esse privilégio”.
Apesar de viver o que descreve como um “pesadelo muito ruim”, Íris busca em sua própria família o alicerce para não desabar.
“A gente se apega muito com Deus, né? Deus vai derramando bálsamo nos nossos corações, principalmente no coração de uma mãe. A gente tem que sobreviver. Tenho mais dois filhos, tem os netos, tem os bisnetos, né? Então a gente tem que se manter forte para poder animar eles, para que eles continuem seguindo em frente”, disse Íris.
Histórias como as de Mary e Íris mostram que a maternidade não se encerra com a partida. O amor permanece, transformando-se em uma saudade dolorosa, porém carregada de significado e bravura.
Mesmo diante do vazio deixado por Vanessa, Íris faz questão de estender seus votos a todas as mulheres neste domingo. “Um feliz dia das mães, para todas as mãezinhas. Um forte abraço, um beijo no coração de cada uma. Que Deus proteja cada uma de nós”.





