A pausa forçada no calendário da Fórmula 1 em 2026, provocada pelo cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita em meio à escalada de conflitos no Oriente Médio, interrompeu não apenas o ritmo esportivo da categoria, mas também um momento de forte retomada de audiência no Brasil. Agora, com o retorno das corridas no GP de Miami, marcado para este domingo (3), a principal dúvida no paddock e fora dele é se os recordes recentes de público serão mantidos após a crise.
Antes da paralisação, os números eram expressivos. Mesmo em condições pouco favoráveis ao público brasileiro, como corridas realizadas de madrugada, a categoria vinha demonstrando força na TV aberta. O GP da Austrália, disputado em Melbourne, registrou média de 6,34 pontos na TV Globo, com 23,47% de participação entre os televisores ligados no momento da prova. O dado ganha ainda mais relevância ao considerar que a transmissão também estava disponível na TV por assinatura, pelo SporTV 3.
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O desempenho recolocou a Fórmula 1 na liderança da audiência na TV aberta após mais de quatro anos. O último momento semelhante havia sido em 2021, quando a disputa intensa entre Max Verstappen e Lewis Hamilton impulsionou os índices, especialmente no GP de São Paulo daquele ano. Agora, em 2026, a categoria parecia novamente encontrar um ponto de conexão com o público brasileiro.
Os três primeiros GPs da temporada somaram quase 27 milhões de telespectadores, consolidando um início promissor mesmo com horários adversos. Esse cenário, no entanto, foi abruptamente interrompido pela suspensão das etapas no Oriente Médio, criando um hiato de quase um mês no calendário. A interrupção levanta dúvidas sobre a capacidade da categoria de manter o engajamento conquistado até aqui.
Dentro das pistas, a pausa também serviu como oportunidade para ajustes importantes em um regulamento que vinha sendo alvo de críticas. Entre as principais mudanças estão alterações no formato de classificação e na diferença de velocidade entre carros em diferentes modos de energia, um dos pontos mais contestados por pilotos e equipes.
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Outro aspecto que deve passar por melhora é o chamado “super clipping”, fenômeno que vinha incomodando tanto competidores quanto espectadores. O efeito ocorre quando o carro perde potência mesmo com o piloto acelerando ao máximo, devido à gestão de energia do sistema híbrido. Segundo a jornalista especializada Julianne Cerasoli, o problema era perceptível até para o público leigo. “Dá para ver, dá para ouvir, é feio. Você percebe que o carro está perdendo muita potência enquanto o piloto está acelerando tudo”, explicou.
Com as novas regras, o motor a combustão será utilizado por menos tempo para recarregar a bateria, o que deve tornar o super clipping mais rápido e menos perceptível. A expectativa é de que os carros mantenham desempenho mais constante ao longo das voltas, reduzindo um dos principais ruídos na experiência de quem acompanha as corridas.
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Apesar das correções, o cenário técnico ainda está longe de um consenso. O novo regulamento praticamente triplicou o uso da energia elétrica de um ano para o outro, e as equipes ainda enfrentam dificuldades de adaptação. Internamente, há a percepção de que o motor a combustão ainda terá papel mais relevante do que o inicialmente projetado, ao menos até que a tecnologia híbrida atinja um nível de equilíbrio mais confiável.
Esse contexto mistura incertezas dentro e fora das pistas. Se por um lado a Fórmula 1 volta com ajustes técnicos que prometem melhorar o espetáculo, por outro precisa provar que a pausa não esfriou o interesse do público. Os números iniciais indicam uma retomada consistente de audiência no Brasil, mas a manutenção desse patamar dependerá não apenas do desempenho esportivo, mas também da capacidade da categoria de oferecer corridas mais previsíveis em termos técnicos e mais atrativas para o espectador.





