Enquanto ainda aguarda a homologação do plano de recuperação extrajudicial na Justiça, a Belagrícola sofreu um revés importante.
A FMC, uma das maiores fabricantes de defensivos agrícolas, obteve uma liminar para arrestar R$ 112 milhões em grãos da rede de revendas paranaense, apurou The AgriBiz.
A disputa foi aberta pela multinacional depois que a Belagrícola atrasou a entrega de grãos para a companhia.
Ao todo, o acordo da FMC com a rede de revendas envolvia a venda de defensivos em troca de 1,4 milhão de sacas de soja — com entregas previstas para os anos de 2026, 2027 e 2028.
O contrato de barter foi formalizado via CPR de entrega física. Pelos termos do acordo, a companhia paranaense deveria ter entregado 460 mil sacas de soja em 20 de março deste ano, mas não o fez.
Numa tentativa de proteção, a Belagrícola incluiu a FMC na lista dos credores da recuperação extrajudicial.
O problema é que as CPRs de entrega física podem ser consideradas um crédito extraconcursal e, nesse caso, não se sujeitariam à recuperação. Esse foi o entendimento do juiz que analisou o caso.
A decisão liminar, proferida pelo juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, foi concedida à FMC na noite de terça-feira, mas só chegou à Justiça do Paraná nesta quinta-feira. O processo está em segredo de justiça.
Procurada, a FMC respondeu que “não comenta processos judiciais em andamento”. A Belagrícola informou “que não vai se manifestar até tomar conhecimento dos autos”.
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Na recuperação extrajudicial, a Belagrícola arrolou R$ 1,8 bilhão em dívidas para renegociar. O arresto da FMC corresponde a 6% desse passivo.





