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Pfizer prioriza vacinar gestante contra vírus da bronquiolite em 2026, segu…

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Bloomberg Línea — A vacinação de gestantes contra o VSR (vírus sincicial respiratório), principal causador da bronquiolite e um dos maiores responsáveis por internações em crianças menores de dois anos no Brasil, é uma das prioridades da Pfizer para 2026 no país. A afirmação é de Rodrigo Sini, diretor sênior de Assuntos Médicos para Mercados Emergentes da farmacêutica, em entrevista à Bloomberg Línea.

“É a primeira temporada vacinando em larga escala, e o pico do VSR é no outono e inverno, que estão chegando. O impacto em redução de hospitalizações deve ser visível já em 2027″, explicou.

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O VSR é frequentemente confundido com gripe e Covid-19, já que os três compartilham sintomas como tosse, fadiga, mal-estar geral e dores musculares.

A semelhança clínica, somada ao subdiagnóstico crônico, ajuda a explicar a invisibilidade do vírus em adultos da América Latina, onde já foi detectado em até 16,4% das infecções tipo influenza e em até 13,5% dos casos de pneumonia, segundo a apresentação promovida pela Pfizer a jornalistas em São Paulo nesta terça-feira (28).

O tratamento de cada episódio pode custar de US$ 1.000 a US$ 5.000, sem incluir internação em UTI.

Pela primeira vez, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece gratuitamente a vacina da Pfizer a gestantes. Conhecida pelo nome comercial Abrysvo, ela é oferecida em parceria de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan.

Pediatra de formação, Sini defende que o avanço da cobertura depende de uma combinação de ciência e proximidade.

Na entrevista a seguir, ele detalha a estratégia para 2026, comenta o status atual da Covid-19, aborda o desafio das coberturas vacinais em queda e explica por que a vacinação em farmácias, modelo predominante nos Estados Unidos, ainda é restrita no Brasil.

Qual é o principal foco da Pfizer no Brasil em 2026?

O foco é a vacinação de gestantes contra o VSR, causador da bronquiolite, uma das principais causas de internação em crianças menores de 2 anos. A indicação vai de 24 a 36 semanas de gestação. Os anticorpos passam pela placenta e o bebê nasce protegido desde a primeira respiração. É uma revolução. Conhecemos o vírus desde os anos 1940, tivemos uma vacina fracassada nos anos 1960, e só agora chegamos lá.

Os números são animadores?

A Austrália levou 6 meses para chegar a 90% de cobertura, com impacto expressivo em internações e UTIs. O Brasil chegou a 80% em 3 meses e devemos atingir 90% em meio ano. É a primeira temporada vacinando em larga escala, e o pico do VSR é no outono e inverno, que estão chegando. O impacto em redução de hospitalizações deve ser visível já em 2027.

A Covid saiu do mainstream. O que importa agora?

A Covid foi traumática, e até médicos cansaram do tema. Mas, tirando a emoção: a doença explosiva e agressiva do início não existe mais. Pela seleção natural, a linhagem da Ômicron prevaleceu. Transmite muito, mas não elimina o hospedeiro. O foco hoje são os grupos de risco: crianças com anomalias congênitas, idosos, imunossuprimidos. Não é necessário vacinar toda a população, mas Covid ainda mata mais que influenza nessa população vulnerável.

Haverá outra pandemia?

Provavelmente sim, em 30 a 50 anos. É a evolução natural dos vírus, já é um conceito, não só teoria. Tivemos a gripe espanhola, H1N1, gripe suína, SARS-CoV-2, Mpox em seguida. O Mpox já tem vacina, da Bavarian Nordic, com autorização da OMS para uso em surtos, mas não é pandêmico. Na Pfizer, não temos linha nessa frente. Nosso foco está mais em vírus respiratórios e outras prioridades.

Em 2025, apenas duas vacinas do PNI (Plano Nacional de Imunização) bateram a meta. Como virar esse jogo?

Primeiro, é preciso contextualizar. A OMS recomenda 75% de cobertura como mínimo. No Brasil, o critério é acima de 90%, somos mais exigentes. A América Latina como um todo valoriza a vacinação porque sofreu com doenças imunopreveníveis. Vimos crianças com sequelas de pólio. Nos últimos anos, as taxas vinham caindo, e a pandemia agravou. Mas o Brasil entendeu sua responsabilidade e voltou a fortalecer campanhas, sobretudo em sarampo e em doenças com risco de surto.

Como a Pfizer atua nesse esforço?

Trabalhamos dentro das possibilidades de parceria com o governo, que é exclusivista em vacinação e quer manter sob seu controle. Nosso apoio é mais voltado a campanhas socioeducativas e ao fomento da educação em saúde. A virada depende de trabalho conjunto: governo na linha de frente, ministro se vacinando, comunidade médica e científica engajadas, e a imprensa ajudando a população a se sentir segura. Sem essa articulação, o número não sobe.

Os shoppings ganharam clínicas de vacinação. Como a Pfizer avalia esse movimento de ampliação do acesso no Brasil?

Acesso é uma das principais armas para uma boa cobertura vacinal. Sem ele, não adianta ter pessoas esclarecidas nem produto em manchete, porque no fim do dia a pessoa não consegue se vacinar. Antes da pandemia, já se discutia ampliar horários nos postos, abrir aos sábados e domingos. A pandemia acelerou tudo: o poder público entrou nos shoppings com salas de vacinação contra a Covid, e depois as clínicas privadas absorveram esse mecanismo. Deu certo.

E as farmácias, modelo dominante nos EUA?

É um caminho que vinha avançando antes da pandemia e perdeu tração. Nos EUA, é a principal forma de vacinação. A farmácia funciona como mercado e até atendimento médico, com profissional autorizado a prescrever. No Brasil, o gargalo é justamente esse: ter um profissional de saúde habilitado a fazer esse tipo de serviço dentro da farmácia. É um tema que ainda precisa ser discutido por aqui.

Como atingir gestantes em regiões com forte misticismo e desinformação?

É um desafio cultural e socioeconômico. O Brasil é heterogêneo. Mas se mitiga com duas coisas: informação e aproximação. A aproximação se faz via agentes de saúde e lideranças locais que são referência na comunidade. Sou pediatra, fui tenente da Marinha e servi um ano na Amazônia em navios-hospitais, atendendo ribeirinhos. Quando o navio chegava, era como uma nave espacial. Todas as mães vinham com o cartão de vacinação perguntando o que dar para os filhos.

Por que funcionava?

Porque havia confiança. O líder local nos conhecia, dava o aval, e a comunidade vinha. Os navios da Marinha têm farmácia com cadeia de frio e levam vacinas do SUS. Em muitas missões, levávamos agentes de saúde de Manaus para ajudar na comunicação. É essa a fórmula: se você chega no rincão do Brasil e uma mãe vem até você com o cartão de vacinação, o negócio funciona. Sem contato e sem confiança, não funciona.

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