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Os números da ‘space economy’, que pode ganhar com o IPO da SpaceX

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A exploração comercial do espaço deixou de ser coisa de bilionários megalomaníacos e vem se tornando um dos setores industriais que mais crescem – e cujo faturamento anual em breve deve romper a barreira do US$ 1 trilhão.

Segundo estimativas da McKinsey, a chamada space economy deverá crescer em média 9% ao ano nesta década – bem acima de qualquer PIB – atingindo uma receita estimada em US$ 1,8 tri até 2035. Em 2024, o faturamento ficou pouco acima de US$ 600 bilhões.

A estrela maior do setor é a SpaceX, que pode fazer o seu IPO já em junho – buscando um valuation próximo de US$ 2 trilhões, segundo a imprensa americana.

A oferta de ações da companhia de Elon Musk e outros grandes investimentos no setor estão reprecificando as ações de toda a cadeia de suprimentos e serviços dessa indústria.

“Uma combinação de avanços científicos, geopolítica e economia esquentou o interesse dos investidores no tema espacial,” escreveram os analistas do Morgan Stanley em um relatório recente.

A exploração do espaço depende de uma intrincada cadeia de fornecedores altamente especializados. O Morgan Stanley acaba de criar um portfólio temático chamado Space 60 – uma lista de empresas listadas de porte variado, incluindo desde produtores de matérias-primas até fabricantes de componentes, além das operadoras de serviços como a banda larga via satélite.

Em metais, alguns nomes da carteira são a MP Materials – uma mineradora americana de terras raras – e a Alcoa, a gigante do alumínio. Em combustíveis, dois dos papéis destacados são Linde e a Air Products.

Entre os fornecedores-chave de semicondutores, o time do Morgan Stanley lista empresas como Analog Devices, Infineon e Qorvo, além das big techs Nvidia e Broadcom.

Há ainda os fabricantes de foguetes e de sistemas de lançamento e satélites, como a Rocket Lab e a MDA Space. A lista também contém nomes tradicionais dessa indústria, como Boeing, Lockheed Martin e Northrop Grumman.

Finalmente, entre as operadoras de serviços por satélite estão AST SpaceMobile, Viasat e Iridium. Por meio de sua subsidiária Leo, a Amazon também vem investindo em uma frota própria de satélites para competir com a Starlink.

A companhia de Jeff Bezos recentemente anunciou a compra da operadora de satélites Globalstar por US$ 11,6 bilhões.

O negócio demonstra como as Big Techs veem o espaço como a nova fronteira da tecnologia.

Jezz Bezos

Ao contrário dos anos de corrida espacial da Guerra Fria, hoje a maior parte dos investimentos vem do setor privado. Em 2024 as empresas comerciais foram responsáveis por 78% do total gasto na corrida espacial; os outros 22% vieram de recursos públicos.

De acordo com a Goldman Sachs, cerca de 70 mil satélites de órbita baixa – low earth orbit, ou LEO – deverão ser lançados até 2030. Instalados a altitudes de 160 a 1.900 quilômetros e orbitando a Terra a cada 90 minutos, eles vão expandir a rede de dados para telefonia celular e banda larga, além de informações para navegação marítima e aviação. 

De acordo com a Bernstein, a exposição a oportunidades nessa indústria – tanto militares quanto comerciais – está se tornando cada vez mais valiosa, com orçamentos governamentais em alta e maior atividade do setor privado.

“O maior valor está se deslocando para redes distribuídas de satélites em órbita terrestre baixa ou média,” dizem os analistas da Bernstein. “Os concorrentes espaciais tradicionais estão enfrentando uma concorrência crescente de novos participantes. No geral, vemos as tendências do setor como positivas tanto para as grandes empresas tradicionais quanto para os concorrentes menores em estágio inicial.”

Apesar das perspectivas de crescimento, trata-se de um setor repleto de riscos, como mostra um recente lançamento mal-sucedido da Blue Origin, a startup de lançamento de foguetes de Bezos. A empresa colocou um satélite da AST Space Mobile em uma posição errada, e ele terá que ser retirado de órbita.

“Embora o satélite tenha se separado do veículo de lançamento e entrado em funcionamento, a altitude é muito baixa para sustentar as operações com sua tecnologia de propulsão a bordo,” a AST disse à Barron’s. “O custo do satélite deverá ser recuperado pela apólice de seguro.”

A AST vem tentando se colocar como uma alternativa à Starlink e quer ser a primeira a fornecer conectividade com qualidade 5G em qualquer lugar do mundo ainda este ano – uma meta que a empresa de Musk deve atingir em 2027.




Giuliano Guandalini






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