Um estudante de 15 anos denunciou à polícia ter sido vítima de agressões físicas, ameaças e violência psicológica em uma escola técnica estadual localizada na zona rural de Vera Cruz. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília e envolve um adolescente de 17 anos apontado como autor.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima – aluno do primeiro ano do ensino médio – relatou que passou a sofrer agressões após aceitar dividir o quarto com o outro estudante, em regime de internato. Segundo o registro policial, as violências eram recorrentes e justificadas como uma espécie de “trote” aplicado a alunos ingressantes.
O estudante afirmou que era agredido semanalmente com tapas e golpes nas costas e nas pernas, inclusive com o uso de objetos, como cabo de vassoura. As agressões, ainda segundo o relato, eram acompanhadas de intimidações e imposições, sob a alegação de que existiria uma “regra” entre alunos mais antigos para submeter os novatos.
Conforme o boletim, a vítima disse que se recusava a participar das práticas, mas era ameaçada pelo outro adolescente, que teria afirmado que as agressões ocorreriam à força, caso não houvesse consentimento. O estudante também declarou que permaneceu em silêncio por medo de represálias, incluindo novas agressões e possíveis retaliações dentro da escola.
O caso mais grave, segundo o registro, ocorreu no dia 21 de abril, quando a vítima afirmou ter sido atingida por golpes com uma barra de ferro enquanto dormia no quarto. De acordo com o relato, o agressor teria desferido várias pancadas no joelho, no braço e na perna, causando lesões e dificultando a locomoção do estudante.
O boletim aponta ainda um episódio anterior em que a vítima relata ter sofrido uma queimadura no braço após o outro adolescente aquecer um objeto metálico com um isqueiro e encostá-lo em sua pele. A lesão, segundo o estudante, ainda está em processo de cicatrização.
A direção da unidade de ensino foi comunicada sobre os fatos, conforme o registro policial. Segundo a vítima, a instituição informou que avaliaria as medidas cabíveis. A ocorrência foi registrada sem flagrante e será investigada pela Polícia Civil. Até a publicação desta matéria, o Centro Paula Souza – responsável pela manutenção da escola técnica – não tinha se manifestado oficialmente sobre o caso. Se houver posicionamento, o texto será atualizado.





