A Porto Seguro (Android, iOS) lançou no final de 2025 uma vistoria veicular tecnológica. Parte da análise é baseada em vídeos e fotos 360º, feitos pelo próprio cliente, de forma guiada — com o intuito de garantir os ângulos necessários —, dentro do aplicativo. O conteúdo é analisado por uma inteligência artificial, que avalia o estado de conservação do veículo – na vistoria prévia – e possíveis sinistros, como acidentes ou roubos.
A tecnologia também leva em consideração outros fatores a partir de dados da apólice, e com base em tudo isso dá seu parecer final de risco ou de danos, podendo aceitar a solicitação, recusá-la ou exigir um pequeno concerto, em caso de avarias. “Trata-se de uma jornada mais fluída e simples, que eu diria que compõe parte do encantamento do cliente”, diz Rodrigo Herzog, diretor de sinistro auto da Porto Seguro.
Com a implementação da IA, o tempo de análise da empresa, antes entre quatro e sete dias, caiu para entre um e dois dias, com possibilidade de resposta em questão de horas, dependendo do rápido compartilhamento de conteúdos feito pelo usuário. Hoje, mais de 70% das vistorias prévias da Porto Seguros são totalmente digitalizadas.
A iniciativa também trouxe ganhos para o meio ambiente. De acordo com a seguradora, durante o projeto piloto – de janeiro a setembro do ano passado –, a empresa deixou de emitir 725 toneladas de gases de efeito estufa, por evitar os deslocamentos físicos.
A hora e a vez da área de sinistros
Para o executivo, o departamento deixou de ser puramente técnico, para atuar diretamente na estratégia da Porto Seguro como um todo, já que além das análises corriqueiras de resultado, custo médio, NPS e prazo, a área discute regularmente como está o setor e o nível de competitividade.
“Nos dois últimos anos, o mercado de sinistros está bastante disputado em termos de preço. Na Porto, entendemos que o nosso papel é rodar com custo baixo, para que isso beneficie nossos clientes e nos traga competitividade”, explica Herzog.
Hoje, na área de sinistros, quatro dos sete processos principais já estão totalmente integrados à inteligência artificial. No segundo semestre, o departamento quer ampliar sua força tecnológica, com a implementação de novas ferramentas.
Cultura de IA
O diretor afirma que os LLMs tornaram-se uma premissa no Grupo Porto. Internamente, os funcionários utilizam uma IA generativa chamada de GenIAl. Além disso, a empresa incentiva o uso de ferramentas do Google Switch, como o Gemini e o Notebook LM. “A IA é uma ‘commodity’ que faz a liderança quebrar a cabeça para decidir onde aplicá-la e de que forma combiná-la com pessoas e outras tecnologias”, observa Herzog.
A empresa vê como próximo desafio de inovação o processo de agentização, onde precisará integrar diferentes agentes para que trabalhem juntos e de forma sistêmica.
Ilustração produzida por Mobile Time com IA.





