24.5 C
Marília
HomeRegiaoEntre trilhos e ônibus, avenida Brasil marca história da mobilidade em Marília...

Entre trilhos e ônibus, avenida Brasil marca história da mobilidade em Marília • Marília Notícia

spot_img


Avenida que leva o nome do país em Marília é o caminho de pessoas e cargas desde sempre (Foto: Rodrigo Viudes/Marília Notícia)

Há 526 anos, os portugueses atracaram na região do atual Porto Seguro, na Bahia, e declararam oficialmente a “descoberta” de um novo território, que passaria a se chamar Brasil. Ontem, dia 22 de abril, no entanto, foi apenas mais um dia comum no país.

Embora a data não integre mais o calendário oficial de celebração do descobrimento do Brasil, a via que leva o nome do país permanece como eixo simbólico das transformações logísticas e estruturais do município de Marília.

A avenida Brasil, no Centro da cidade, consolidou ao longo de quase um século uma vocação diretamente ligada ao transporte de pessoas e cargas — característica que marcou sua formação urbana e ainda influencia sua dinâmica.

Troca de nome

A denominação da avenida remonta a 1932, dois anos após a retirada do 22 de abril do calendário nacional, por decisão do então presidente Getúlio Vargas, que havia assumido o poder em 1930, ao fim da chamada República Velha.

À época, já existia outra avenida Brasil na cidade — a atual avenida Nelson Spielmann — e a mudança de nome foi oficializada por ato do então prefeito Eurípedes Soares da Rocha, hoje homenageado por uma instituição de ensino superior.

Instalação de paralelepípedos na avenida Brasil, na década de 1930 (Foto: Registros Históricos)

Antes disso, em 1930, a atual avenida Brasil era conhecida como avenida do Café, nome associado aos galpões instalados às margens da via e da ferrovia, cujos trilhos chegaram a Marília em 1928.

Via de transportes

Desde o início, a proximidade com a linha férrea definiu o perfil da avenida, que se tornou ponto estratégico para embarque e desembarque de passageiros, além do escoamento de mercadorias. Ainda na década de 1930, a via recebeu pavimentação em paralelepípedos, parte da qual permanece preservada.

Entre 1928 e 2001, a avenida foi passagem obrigatória para passageiros que utilizavam os trens da estação ferroviária local. O transporte de cargas, por sua vez, perdeu força gradualmente, até que, em 2009, o último trem passou pela cidade, encerrando um ciclo histórico da ferrovia em Marília.

Ciclistas passeiam pela avenida Brasil, no fim dos anos 1930 (Foto: Arquivo/redes sociais)

Em frente à antiga estação, existia uma vila destinada aos trabalhadores ferroviários das extintas Companhia Paulista de Estradas de Ferro e Fepasa. A área foi declarada de utilidade pública em 1987 para a construção do Terminal Coletivo Urbano, inaugurado em 12 de novembro de 1988.

Terminal urbano

O equipamento, denominado dom Hugo Bressane de Araújo, primeiro bispo diocesano de Marília, centralizou o transporte público municipal e marcou uma nova fase na mobilidade urbana, substituindo a predominância ferroviária pelo transporte coletivo rodoviário.

Ônibus da extinta Empresa Circular de Marília entram no Terminal Urbano, em registro de 1990 (Foto: redes sociais)

Inicialmente operado exclusivamente pela Empresa Circular de Marília (ECM), o sistema passou a contar, a partir de 2013, com duas concessionárias — Grande Marília e Viação Sorriso — após um imbróglio jurídico envolvendo a ECM.

A ocupação dos imóveis ao longo da avenida também reflete essa relação histórica com o transporte. Em cinco quarteirões paralelos à linha férrea, entre as ruas Nove de Julho e Mato Grosso, concentraram-se atividades ligadas ao setor ferroviário e, posteriormente, ao transporte urbano. Em frente à antiga vila dos ferroviários, funcionou por décadas a sede sub-regional do sindicato da categoria.

Terminal Urbano após recente reforma, na avenida Brasil (Foto: Rodrigo Viudes/Marília Notícia)

Indústria e comércio

A via também abrigou instalações industriais, como os barracões da Sasazaki, entre as ruas Paraíba e Paraná, até a transferência da empresa para o atual parque fabril, em 1996. Próximo dali, na esquina com a rua Sergipe, funcionava um hotel, cujo prédio hoje integra um complexo administrativo municipal.

Atualmente, a avenida Brasil mantém sua relevância como corredor de serviços e equipamentos públicos. Em frente ao terminal urbano, há concentração de lojas, serviços, a sede da Associação Mariliense de Transporte Urbano (AMTU) e a Farmácia Central.

Sasazaki ocupou barracões ao longo de dois quarteirões da avenida Brasil entre 1958 e 1996 (Foto: Redes Sociais)

A via também abriga a sede da banda marcial municipal, o restaurante Bom Prato e a Justiça Eleitoral, consolidando-se como espaço de intensa circulação e múltiplas funções — herança direta de sua origem ligada aos trilhos e ao deslocamento urbano.

Avenida Brasil, atualmente, no Centro de Marília (Foto: Rodrigo Viudes/Marília Notícia)





Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img