Bloomberg Línea — Com 52 mil caminhões e máquinas em sua frota, a Vamos (VAMO3) vê espaço para crescer apesar da forte barreira cultural para locação de veículos pesados no país.
A empresa controlada pelo grupo Simpar (SIMH3) aposta em uma estratégia que inclui principalmente o segundo ciclo de locação dos ativos para conquistar novos perfis de clientes. A companhia também trabalha para lançar contratos de aluguel de curto prazo.
“Os concorrentes da Vamos são os clientes que compram o caminhão. Nosso modelo de negócio vai crescer independentemente do cenário”, disse o CEO Gustavo Couto em entrevista à Bloomberg Línea.
Desde a abertura de capital da companhia em 2021, a Vamos passou de 150 clientes para mais de quatro mil atualmente. Segundo Couto, o mercado de locação de caminhões ainda é pequeno no Brasil, com cerca de três ou quatro competidores relevantes. “Temos quase 80% do mercado.”
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Para crescer, a empresa está criando novas diretorias, o que inclui o foco em grandes contas – especialmente varejo – e atuação regional para ampliar o alcance nacional. Hoje, a Vamos está com ocupação média da frota de 86%, mas a meta é atingir 90%.
O CEO relata que a companhia detectou um nicho de mercado para clientes que querem alugar caminhões, mas não têm fôlego financeiro para contratar uma frota zero quilômetro.
Em um país cuja idade média dos veículos pesados é de quase 20 anos, Couto explica que a contratação de caminhões de três ou quatro anos de uso significa um ganho significativo, tanto em termos de eficiência quanto de custos.
“O mercado está sofrendo com aumento de custos. Oferecer um segundo ciclo de locação cria uma nova avenida de crescimento para nós”, diz Couto.
O executivo conta que alguns setores têm um uso mais pesado da frota e não podem passar um dia sequer sem disponibilidade do veículo devido a problemas de manutenção, como por exemplo florestal e mineração. Neste cenário, as grandes empresas desses setores costumam fechar contratos de ativos zero quilômetro.
Já empresas de menor porte, com uso menos intenso, são alvo para segundo ciclo de uso dos veículos. Segundo Couto, metade do crescimento da companhia é proveniente de clientes novos.
Embora a cultura de posse ainda seja predominante no Brasil, o executivo observa que, uma vez que o cliente faz a conta, ele percebe que não vale a pena comprar, especialmente em um contexto de juros elevados.
Venda de seminovos
A Vamos inaugurou quatro lojas de venda de seminovos em 2025, totalizando 20 unidades. Para este ano, o plano é abrir três ou quatro novas lojas.
No ano passado, a Vamos dobrou a venda de veículos em relação a 2024, totalizando 6.490 unidades. Couto relata que, apesar das dificuldades de aprovação de crédito para a compra de caminhões no mercado brasileiro, a companhia vem registrando avanço em seminovos.
“Nossos grandes diferenciais são comprar bem, custos competitivos e melhor revenda.”
Neste contexto, a companhia tem obtido recordes em volume e receita com a abertura de novas lojas e contratação em vendas. Segundo o executivo, isso contribui para o crescimento em nível nacional.
Locação de curto prazo
Couto relata que o aluguel de curto prazo tem uma demanda grande entre os clientes e que a companhia está trabalhando na melhor forma de viabilizar essa oferta ao mercado.
Ele afirma que alguns clientes podem apresentar modelos de negócios com sazonalidade, como construtoras, indústria de bebidas ou agronegócio. A proposta é alugar os ativos por seis meses até um ano.
“Este não é o nosso modelo de negócio hoje, mas estamos nos preparando”, diz.
Entre outros desafios, ele destaca que é preciso garantir a ocupação do ativo e o controle.
“Ainda não há uma data definida, mas devemos lançar a locação de curto prazo ainda este ano”, pondera Couto.
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