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Na briga por biomassa, ComBio traz solução para o etanol de milho

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MOGI GUAÇU (SP)* — Enquanto os projetos de etanol de milho correm atrás de cavacos para abastecer as caldeiras das usinas, uma companhia paulista viu na corrida por biomassa uma oportunidade para chegar ao agro.

Fundada há quase duas décadas com foco na descarbonização das indústrias, com um modelo de negócios que substitui combustível fóssil por biomassa nas caldeiras de vapor, a ComBio quer anunciar os primeiros clientes do agro entre o segundo semestre deste ano e o primeiro de 2027.

“Estamos olhando para biocombustíveis, especialmente etanol de milho, além de usinas de cana, grãos, fertilizantes e laticínios”, contou Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio, durante uma visita de The AgriBiz a uma unidade da empresa em Mogi Guaçu, no interior paulista.

Contratado há um ano e meio, Blandy conhece bem o agro. Antes de chegar à Combio, o executivo passou por companhias como Czarnikow, Raízen e Novozymes, o que pode ajudar nas prospecções.

Enquanto dirigia de São Paulo rumo à fábrica da Ingredion em Mogi Guaçu, onde está instalada a segunda maior da unidade de geração de vapor da ComBio, Blandy detalhou o modelo de negócios.

A Combio sustenta sua estratégia em duas teses. De um lado, a substituição de combustíveis fósseis por renováveis. De outro, ganhos financeiros.

Segundo ele, a empresa pode comprar a caldeira original da indústria, com um desembolso à vista, o que faz do reforço no fluxo de caixa um atrativo. Em seguida, assume o fornecimento de vapor, instalando uma planta ao lado da do cliente — com duas caldeiras, a principal e a reserva, e uma terceira de backup que funciona a gás natural.

Com isso, a ComBio assume uma atividade que não era o core business do cliente, oferecendo uma gestão mais eficiente.

Os benefícios dessa abordagem foram ressaltados em uma palestra de Blandy no BioMilho Brasil, realizado pelo Jornal Cana. É sintomático que a fala do executivo no evento tenha viralizado nos grupos de WhatsApp que acompanham as discussões sobre etanol de milho.

Na ocasião, ele disse uma operação termelétrica bem tocada pode gerar uma redução de 1% a 3% no custo final de produção.

Solução para a biomassa

A Combio também promete mais eficiência na gestão e originação da biomassa, no que conta com tecnologia e uma equipe de 16 pessoas.

Atualmente, as caldeiras instaladas pela ComBio consomem 1,1 milhão de toneladas de biomassa por ano. O cavaco de madeira, que já chegou a representar 30% desse total, agora fica em 25%.

Para isso, a Combio diversificou as origens de biomassa para mais de cem alternativas — 70% das quais são residuais, como bagaço da cana e resíduos de citros e madeira, além de sobras de indústrias, como a automotiva.

Os projetos são customizados para as possibilidades do cliente e da região, de acordo com a cadeia local de matérias-primas. O levantamento envolve visitas, drones e imagens de satélite.  

“Na região Norte, temos cogitado o caroço do açaí, que antes era descartado em rios e agora gera renda. No Sul, a casca do arroz está bem encaminhada.”

Segundo Blandy, o raio viável de frete de biomassa fica entre 100 km e 120 km, com um máximo de 250 km em casos pontuais.

No começo, a escolha da ComBio foi por acessar biomassa no mercado em vez de produzir. Mas isso está mudando. A empresa já tem 5 mil hectares plantados de eucalipto, em uma parceria com a Dexco. A meta é chegar a 20 mil hectares ainda neste ano.

O serviço ainda confere um adicional de sustentabilidade com potencial impacto comercial: a rastreabilidade da origem da biomassa, qualificando a produção para acessar mercados mais exigentes na prevenção ao desmatamento, como a União Europeia.

Segundo Blandy, esse mote deve ganhar força nos próximos anos conforme evoluam e se consolidem os mercados voluntários e regulado de créditos de carbono. “Daqui a cinco anos, mesmo a indústria média ou pequena vai ser obrigada a se preocupar, pelo aspecto financeiro do crédito. É algo que vai mudar o jogo.”

***

Para crescer, a ComBio conta com um balanço capitalizado, e acesso a linhas de instituições multilaterais como IFC.

Fundada por Paulo Skaf Filho, Roberto Lombardi e os irmãos Marcos e Fábio Brant, a ComBio recebeu um investimento de R$ 350 milhões das gestoras SPX e Lightrock em 2023, que ficaram com 31% do negócio.

No ano passado, a Combio teve uma receita líquida de R$ 658 milhões, conforme os dados do último balanço. O lucro líquido ficou em R$ 30,8 milhões.

*O repórter viajou a convite da ComBio.



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