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Produtor pode perder mais se adiar compras de insumos

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O produtor brasileiro se habituou a postergar compras de fertilizantes e defensivos em momentos de alta nos preços. Mas, desta vez, esperar pode custar ainda mais caro — principalmente no caso dos fosfatados.

A previsão é do Rabobank, que divulgou nesta semana seu relatório semianual de fertilizantes, jogando luz sobre os efeitos da guerra no Irã no mercado.

O banco mantém um índice global que mede o poder de compra do agricultor em relação aos insumos. Para isso, compara uma cesta de nutrientes contra uma cesta de commodities agrícolas, ponderando a importância de cada produto para cada cultura, e o peso delas no todo.

Quando positivo, esse índice sugere uma relação de troca mais favorável para os agricultores. Em contrapartida, o indicador no campo negativo significa uma deterioração da relação de troca.

Para 2026, a perspectiva traçada pelo Rabobank é assustadoramente negativa. A média móvel de doze meses do indicador pode atingir o pior momento da série histórica em dezembro, ficando abaixo de 0,6 — nem mesmo nos piores momentos da guerra da Ucrânia essa patamar foi alcançado.

Fonte: Rabobank

Segundo o Rabobank, esse índice já vinha sob pressão desde 2025, o que se aprofundou com a guerra no Irã, conflito que interrompeu rotas no Oriente Médio essenciais para o escoamento de matérias-primas.

A situação é agravada pelas recentes decisões de exportadores dessas matérias-primas de cancelar vendas ao exterior para priorizar seus mercados internos.

Na semana passada, a Turquia baniu as exportações de enxofre, insumo usado na produção de fosfatados. Com isso, somou-se à Rússia, que baniu a venda de nitrato de amônia (para produção de nitrogenados), e à China, que suspendeu a venda de blends de nitrogênio e fosfato.

Para Bruno Fonseca, analista sênior de insumos agrícolas da área de research do Rabobank, a pior situação está nos fertilizantes fosfatados, “que já vinham apresentando um balanço global bastante apertado, e, agora, com essa alta, devem ter uma redução ainda maior na oferta, além de mais aumento nos custos de aquisição”.

Os impactos por cultura

No Brasil, a urgência não é a mesma para todos. “Vai depender de cultura para cultura. Cana, café e citrus não têm muito tempo para esperar, e devem fazer a aquisição sofrendo com a elevação nos custos”, afirmou Fonseca.

Segundo ele, o mesmo raciocínio se aplica à principal lavoura nacional. “A soja tem sua principal janela de compra de adubo entre janeiro e junho. Neste caso, o produtor já está sendo afetado pela alta do fósforo”.

No caso do milho safrinha, que está em fase de plantio, a maior parte da demanda para a safra já está comprada, segundo o Rabobank — ao encontro de relatos similares no mercado.

Para traçar as projeções, o Rabobank assume que o fechamento do Estreito de Ormuz é temporário e que a sua reabertura vai ocorrer gradualmente a partir de abril. Se isso não se confirmar, o problema dos fertilizantes pode se tornar ainda maior.



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