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Depois da euforia, mercado de colheitadeiras despencou 60% desde 2021

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O mercado de colheitadeiras no Brasil caiu a menos da metade do que foi em 2021, ano marcado por uma euforia no mercado de máquinas agrícolas, causada por altos preços das commodities e margens gordas no campo.

Entre 2021 e 2025, as vendas anuais no segmento despencaram 58%, de 8 mil para 3,3 mil unidades, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Anfavea, associação que representa os fabricantes.

Naquele ano e em 2022, o agricultor estava confortável com margens de até 60% na soja e no milho, e as máquinas eram vendidas a preços inimagináveis no contexto atual. Em paralelo, foram anos de retomada da demanda reprimida no pós-pandemia e de financiamento farto.

Para o agro, no entanto, depois veio a ressaca, marcada pela combinação de redução da rentabilidade e aumento da inadimplência. Com isso, as vendas caíram com força em 2023, 2024 e, mais uma vez, no ano passado.

Só em 2025, as vendas de colheitadeiras no mercado interno tiveram uma forte queda de 22% — desempenho atribuído à contração nas margens das principais culturas e à restrição de crédito em meio à alta inadimplência e juros elevados.

“As colheitadeiras são o destaque negativo do nosso balanço de 2025, sobretudo porque o País teve uma safra muito boa da porteira para dentro, mas que não se traduziu em compra de máquinas”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

Considerando também as vendas de tratores, o mercado de máquinas agrícolas encolheu 3,6% em 2025 — o quarto ano consecutivo de retração.

No caso dos tratores, a queda foi menos acentuada, de 2,1%, devido a um crescimento nas vendas de veículos de baixa potência (menor que cem cavalos), que, segundo Calvet, têm na agricultura familiar financiada pela linha Pronaf Mais Alimentos, do BNDES, seu principal público.

Nova queda em 2026

O cenário permanece difícil para 2026. Depois de caírem 13% no primeiro trimestre, as vendas de máquinas agrícolas devem fechar o ano com um recuo em torno de 6% no mercado interno, segundo a Anfavea.

A projeção reflete o ambiente de incertezas e a expectativa de continuidade da taxa de juros em patamar elevado.

“As guerras afetam a expectativa dos agentes. Muita incerteza: volatilidade grande, petróleo em alta, dólar se depreciando, inflação de custos no Brasil. E já acreditamos que o ritmo de redução da taxa Selic não será o que esperávamos até o fim do ano passado. Então o ano de 2027 começa a ficar muito arriscado também”, disse o presidente da Anfavea.

Invasão estrangeira

Ao contrário do mercado interno, as exportações de máquinas agrícolas tiveram leve alta em 2025, de 2,4%, totalizando 6,3 mil unidades. Os principais compradores foram o Paraguai e a Argentina.

As importações, entretanto, cresceram mais: 17%, para 11 mil unidades. Com isso, o saldo líquido, que era de 3,2 mil negativos em 2024, cresceu para 4,7 mil negativos. E isso é nocivo para o País, argumentou Calvet.

“O lastro dessas importações não é produção local nem complementação de portfólio. Isso prejudica nossa cadeia e os investimentos anunciados por nossas empresas.”

A Anfavea lançou um sinal de alerta para o crescimento de 85,7% nos envios da China, com 3,9 mil unidades. A líder em vendas ao Brasil no ano passado foi a Índia, com 6 mil unidades.

Os dados do primeiro trimestre de 2026 reforçam essa tendência, com as importações crescendo relevantes 48,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Enquanto isso, as exportações cresceram 5,7%, puxadas por Argentina e Paraguai.

A entidade apresentou alguns resultados de um estudo sobre competitividade que encomendou à consultoria BCG. Segundo o trabalho, produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais, principalmente em atributos como escala, preço do aço e mão de obra, reduzindo o custo de produção em até 27%.

Para o presidente da Anfavea, é urgente apoiar a produção nacional, “sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação”.



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