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Inquéritos mostram ‘epidemia’ de violência contra mulher em Marília

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Resumo

Em 2025, a DDM em Marília registrou um aumento de 18% nos inquéritos, refletindo uma epidemia de violência contra a mulher na cidade.

Os dados mostram que quase metade dos inquéritos se relaciona à violência de gênero, o que representa um grave sintoma social.

A delegada Darlene Tozin afirma que essa situação é uma crise nacional e que os meses de festas levam ao aumento dos casos.

Para romper o ciclo da violência, é fundamental uma educação desde a infância que promova respeito e empatia.

O combate à violência doméstica é uma responsabilidade coletiva que vai além da atuação policial e judicial.

O número de inquéritos na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em 2025 em Marília mostra aumento de 18% em relação de 2024 e volume de violência contra mulher com distribuição em bairros e classes, como uma epidemia.

A delegacia encerrou o ano passado com 1.329 inquéritos, mais de 42% de todos os casos da cidade. Além disso, muito acima dos 1.118 inquéritos que instaurou em 2024.

Representa, assim, quase metade da produção em uma cidade com cinco distritos policiais, além de delegacias especializadas. Sim, Marília tem muito mais inquéritos na DDM que nas delegacias de investigação de tráfico, roubos ou estelionatos.

Os dados refletem uma realidade que infelizmente já vivenciamos cotidianamente nas Delegacias da Mulher: a violência contra a mulher se tornou um fenômeno epidêmico no Brasil.

Darlene Rocha Costa Tozin, titular da Delegacia da Defesa da Mulher em Marília

A considerar que aa cidade registrou 80 estupros no ano passado, o volume de inquéritos leva os casos para violência doméstica, bem como exploração sexual. Além disso, violência ou abandono contra crianças, casos que a delegacia também assume.

Inquéritos mostram 'epidemia' de violência contra mulher em Marília
Vanessa Silva em fuga durante caso de violência que terminou em morte
Crise nacional

A delegada titular da DDM, Darlene Rocha Costa Tozin, atribuiu o aumento a fatores sociais e de trabalho, porém destaca problema nacional.

“Não há exagero algum em tratar o tema como uma crise nacional. Quando quase metade dos inquéritos policiais instaurados em um ano estão ligados à violência de gênero, estamos diante de um grave sintoma social.”

Aliás, férias e festas são terrores para mulheres. Os meses de novembro, dezembro, janeiro e julho lideram número de inquéritos.

Enquanto uma mulher for agredida, silenciada ou morta por quem deveria protegê-la, estaremos falhando como sociedade. E não há neutralidade possível diante dessa realidade.

Darlene Rocha Costa Tozin, titular da Delegacia da Defesa da Mulher em Marília

Além disso, abril e maio, com Páscoa e dia das Mães, aparecem com dobro de inquéritos em relação a setembro e outubro, por exemplo.

A violência doméstica tem particularidades que mudam o volume e situação dos inquéritos. Casos de tráfico, por exemplo, apontam atuação de quadrilhas ou grupos responsáveis pelas drogas. Cada prisão tem seu procedimento, mas envolvem mesmos grupos, como operações já demonstraram.

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Prisão em caso de violência doméstica: epidemia e descaso com ordens judiciais

Na violência contra mulher, embora sejam casos semelhantes, há um quadro de cultura de violência e opressão.

“Esse tipo de violência tem raízes profundas, pois não é apenas criminal, mas cultural. É sustentado por padrões de comportamento ainda arraigados na desigualdade, controle, bem como no machismo e naturalização da agressividade. Por isso, romper o ciclo da violência exige mais do que atuação policial e jurídica — exige uma transformação coletiva de mentalidade”, diz a delegada.

Um quadro que espalha, assim, crimes em todas as regiões e classes sociais, sem qualquer vínculo. Há inclusive, situações de violência em casais homoafetivos, como em outras relações.

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DDM de Marília deflagra operação para cumprir mandados de prisão
Romper cultura de violência

Como romper esse ciclo? Para a delegada, começa com a educação desde a infância para o respeito, não apenas à mulher, mas à dignidade humana de forma ampla.

“A escola, a família e os meios de comunicação têm um papel fundamental na formação de novas referências de convivência, de masculinidade e de empatia.”

É uma condição tão grave que uma das principais novidades do enfrentamento foi a implantação de um Núcleo na Saúde para acompanhar.

Violência doméstica chega às unidades de saúde como lesões, violência, mas também saúde mental e emocional. Portanto, agora exigem notificação pelas equipes médicas.

“É necessário que a sociedade entenda que o combate à violência doméstica não é exclusivo da polícia ou do Judiciário, mas um compromisso de todos nós. Romper o silêncio, acolher a vítima, não normalizar o ciúme possessivo, a humilhação, o controle e a violência psicológica são atos poderosos de prevenção.”

Enquanto uma mulher for agredida, silenciada ou morta por quem deveria protegê-la, estaremos falhando como sociedade. E não há neutralidade possível diante dessa realidade.



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