A confissão do empresário Marcelo Alves da Costa, acusado pela morte e incêndio do corpo de Rafael Francisco Alves Ferreira, 37, em Marília, relata ameaças por dívida sem fim, morte com pelo menos quatro golpes e até corda no pescoço da vítima.
Marcelo, dono de uma fábrica de trailers, está em prisão temporária, assim como seu irmão, Marcos, que estavam no local. Aliás, a confissão minimiza a participação do irmão no crime e ele assume apenas o primeiro golpe em defesa de Marcelo.
Os detalhes do caso estão nos depoimentos que a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) reuniu sobre o caso, Veja detalhes
As dívidas
O empresário Marcelo Alves da Costa relatou aos policiais que em 2024 pediu um empréstimo a Rafael no valor de R$ 25 mil e pagou R$ 33 mil após um mês, ou seja, mais de 30% de juros.
Recebeu nova oferta de valores e, assim, aceitou novos empréstimos até R$ 75 mil. Rafael então ofereceu uma Evoque, modelo 2013, por R$ 100.000, para pagamento em 22 parcelas e ele aceitou.
Pagou parte dela e disse que entrgou uma moto de R$ 22 mil, além de R$ 35 mil em dinheiro, mas atrasou valores. A partir daí, afirmou que Rafael pegou o carro de volta mas exigiu pagamento das prestações que faltavam.
Afirmou que entregou carros, motos e até um imóvel que, em conjunto, atingiram R$ 800 mil em pagamentos, mas as cobranças não pararam.

Cobrança e morte
Perto do meio-dia de sexta-feira, Rafael foi à indústria, no bairro Aquarius, zona norte, à procura de Marcelo. Encontrou Marcos, irmão do empresário, que negou a presença do empresário no local.
Rafael foi ao interior da fábrica, encontrou o banheiro fechado e chamou por Marcelo, até o empresário sair.
Os depoimentos dos dois irmãos apontam que Rafael segurou Marcelo pelo pescoço e começou a puxá-lo, já com porta-malas do Porsche aberto.
Dizem ainda que Marcos reagiu e atingiu Rafael com golpe de martelo na nuca, o que derrubou o homem. Rafael levou pelo menos mais três, conforme depoimento de Marcelo, que assumiu a autoria das agressões.


Corda, gasolina e saída
Marcelo diz também que atuou sozinho para tirar o corpo do local e, inclusive, amarrou uma corda ao pescoço de Rafael para colocá-lo no carro.
Depois, disse que mandou o irmão sair do prédio, pegou um galão de gasolina e lavou o chão da empresa. Disse que usou água sanitária para tirar manchas de sangue, depois saiu com o Porsche.
Furto, incêndio e carona
Marcelo diz que seguiu até Oriente, onde acessou estrada rural por onde continuou até o ponto de abandono. Na sequência, retirou corrente e pulseiras de ouro que Rafael usava – pretendia vender – e colocou fogo.
Disse que caminhou um pouco e pediu ajuda a um funcionário para buscá-lo no local. O homem foi de moto, diz que não viu carro em chamas. Em todo momento, Marcelo inocenta o funcionário e minimiza a participação do irmão no crime.





