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Os erros que colocam em risco a proteção patrimonial das famílias empresárias • Marília Notícia

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Adriano Martins é advogado especialista e mestre em Direito Empresarial, com mais de 20 anos de experiência (Foto: Divulgação)

A holding familiar tem se tornado uma ferramenta cada vez mais comum entre empresários que desejam organizar o patrimônio e preparar a sucessão de forma segura.

No entanto, o que muitos não percebem é que a constituição da holding, por si só, não garante proteção. Quando mal planejada, ela pode gerar exatamente o oposto: conflitos familiares e insegurança jurídica.

O primeiro erro mais frequente é não definir regras claras de sucessão e gestão, pois, criar a holding e dividir quotas entre os herdeiros sem prever como será o processo sucessório é como montar uma empresa sem contrato social.

As cláusulas que tratem de substituições, poderes de decisão e critérios de administração são indispensáveis para manter a estabilidade no futuro.

Outro equívoco comum é ignorar o perfil e a capacidade dos herdeiros. A divisão igualitária de poder pode parecer justa, mas, na prática, tende a gerar impasses quando há diferenças de preparo, interesse ou experiência.

A boa governança familiar exige reconhecer essas diferenças e distribuir responsabilidades de forma coerente com a realidade de cada integrante.

Por fim, devemos ressaltar que ter quotas não é o mesmo que deter poder de decisão, portanto, é essencial evitar a confusão entre controle e propriedade. A estrutura societária deve deixar claro quem administra, como as decisões são tomadas e quais são os limites de cada função.

É por isso que, além da holding, torna-se fundamental a criação de um acordo de sócios acompanhado de um conselho familiar. Esse instrumento define papéis, estabelece mecanismos de deliberação e cria um espaço formal para resolver divergências, fortalecendo a governança e a harmonia entre os herdeiros.

A holding familiar pode ser uma excelente solução para proteger o patrimônio, reduzir riscos e facilitar a sucessão, mas isso só acontece quando é construída com estratégia, técnica e diálogo.

Em matéria de família e empresa, o planejamento continua sendo o melhor instrumento de proteção.

***

Adriano Martins é advogado especialista e mestre em Direito Empresarial, com mais de 20 anos de experiência
OAB/SP 221.127





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